Deputados capixabas poderão votar a favor da Reforma da Previdência

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Apesar da CPI da Previdência ter comprovado que não existe déficit, quatro deputados capixabas sinalizam que poderão votar a favor da Reforma da Previdência devido a acordos políticos feitos junto ao presidente Temer e com o empresariado financiador de suas campanhas.

Conforme levantamento feito pelos jornais Folha de S.Paulo e Século Diário, são eles Marcus Vicente (PP); Evair de Melo (PV); Dr. Jorge Silva (PHS) e Lelo Coimbra(PMDB).

Entre esses, Lelo Coimbra (PSDB) já declarou voto favorável. Marcus diz que está indeciso, mas a tendência é que ele siga o entendimento do seu partido, que tem adotado uma postura de apoio irrestrito ao governo federal; Evair de Melo não quis responder e Jorge Silva revela ainda estar estudando o tema.

Os demais seis declararam voto contra a reforma da Previdência: Givaldo Vieira e Helder Salomão, do PT; Norma Ayub (DEM), Carlos Manato (SD), Paulo Foletto (PSB) e Sérgio Vidigal (PDT).

O último levantamento mostra que o governo Temer não teria os 308 votos necessários para aprovar a proposta que restringe o acesso dos brasileiros à Previdência. Na última sexta-feira (01), 44 parlamentares estavam indecisos, 15 afirmaram que vão seguir a posição do partido e 107 não quiseram responder.

Diante a isso, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avalia que não há clima para colocar a votação em pauta nesta terça-feira como estava prevista.

Hartung

Mesmo com a maioria dos deputados contrários à Reforma da Previdência, Hartung continua defendendo o governo Temer. Em entrevista ao Valor Econômico, Hartung defende urgência na votação e avalia que o governo federal tem que investir em propaganda, usando dinheiro público, para defender uma Reforma que irá prejudicar a maioria dos brasileiros.

A defesa de Hartung se dá para justificar uma ampla reforma da previdência estadual. “Uma vez aprovando lá, fica mais fácil mexer aqui [nos estados]. Pelo que está em discussão, lá [em Brasília] estão incluindo os servidores estaduais e os municipais. Nós vamos ter um prazo para aderir às reformas. Você criando a norma federal, cria um balizamento para fazer a discussão em todas as regiões. A norma de lá nos dá seis meses para aderir, e é uma boa norma”, disse ao Valor na época.

Na verdade o que está por trás da Reforma da Previdência dos servidores públicos é a entrega da gestão dos fundos de previdência. Só no Espírito Santo, o Fundo Previdenciário, dos servidores que entraram a partir de 2004, já chega perto de R$ 3 bilhões. Se somados os fundos de todos os estados e da união, a cifra pode chegar a trilhões de reais. Os bancos que financiam políticos como Hartug e Temer que querem esse mercado. Todas as reformas propostas por Temer e Hartung ao funcionalismo já foram implementadas como a idade mínima, continuação da contribuição após se aposentarem, teto de remuneração igual aos dos aposentados da iniciativa privada etc.

É de fundamental importância que a população continue mobilizada, se informando com as entidades sindicais e movimentos sociais e compartilhando as informações que desmontam o discurso dos governos da necessidade de uma reforma da previdência. É preciso que comece sim uma campanha para rever os mais de R$ 3 trilhões que gestores e governantes desviaram por meio de isenções fiscais, sonegação da previdência dos brasileiros.

Fonte: Folha de S.Paulo e Século Diário