

Reestruturação das carreiras é fundamental para recompor o poder de compra dos servidores.
A alta expressiva dos preços dos alimentos durante o governo Bolsonaro evidencia a necessidade de uma luta contínua dos servidores e sindicatos na defesa dos direitos dos trabalhadores e na busca por condições dignas de vida para a população.
Enquanto deputados bolsonaristas tentam reescrever a história com um boné que diz “Comida barata novamente”, os dados oficiais desmentem essa narrativa. A inflação dos alimentos, que atingiu quase 12% em 2022, impactou duramente o poder de compra das famílias brasileiras, especialmente as de menor renda. O papel dos sindicatos foi fundamental na pressão por medidas que protegessem os mais vulneráveis.
No Espírito Santo, a luta do Sindipúblicos contribuiu para reduzir as perdas salariais dos servidores estaduais. Durante o governo Bolsonaro, os governadores foram proibidos de conceder reajustes salariais, aprofundando o arrocho sobre os trabalhadores. Foi somente através da mobilização sindical que novos reajustes foram conquistados. “Continua aquém do necessário, mas é importante lembrar que, além da inflação elevada sobre itens essenciais, também tivemos um período em que qualquer reajuste era proibido. Nossa luta agora é para não retrocedermos a esse período sombrio, marcado pela negação da ciência, pela crise econômica e pelo desespero de milhares de brasileiros que chegaram a disputar ossos na porta de supermercados”, afirma Tadeu Guerzet, diretor de Comunicação do Sindipúblicos.
No entanto, Tadeu explica que “Quando a inflação cai de 22% para 7%, isso não significa que os preços diminuíram, mas que estão subindo em um ritmo mais lento. Por exemplo, se um produto custava R$ 100, com uma alta de 22%, ele passou para R$ 122. Depois, com mais 7% de inflação, foi para R$ 130. Esse efeito de aumento sobre aumento faz com que tudo pareça mais caro, mesmo com a inflação desacelerando. Porém, independente dessa queda, que é positiva, precisamos garantir que nossos salários subam preferencialmente mais que essa inflação. Essa sempre será nossa luta”.
Com a inflação controlada e o PIB em crescimento, é fundamental que o governo estadual siga o exemplo do governo federal e estabeleça uma política de recomposição salarial. As perdas acumuladas ultrapassam 20%, e a revisão das tabelas salariais, aliada à reestruturação das carreiras dos servidores ativos, é um caminho essencial. “Essa é a proposta que estamos defendendo e iremos negociar com o governo para garantir a recuperação inflacionária. Mas para alcançarmos essa conquista, precisamos do apoio dos servidores, participando das nossas ações e se filiando ao sindicato”, destaca Renata Setúbal, presidenta do Sindipúblicos.
O impacto da inflação dos alimentos
Entre 2019 e 2022, a inflação dos alimentos superou a média geral em três dos quatro anos, atingindo um pico de quase 12% em 2022. Esse aumento corroeu o poder de compra da população, especialmente das famílias de baixa renda. Em resposta, os sindicatos intensificaram greves, manifestações e negociações para garantir reajustes salariais e fortalecer políticas de segurança alimentar.
No início de 2024, a inflação dos alimentos voltou a subir, reacendendo o debate sobre a necessidade de um controle mais eficaz de preços e da ampliação das políticas de segurança alimentar. Diante desse cenário, a atuação sindical se torna ainda mais relevante, pressionando o governo por soluções concretas, como aumento real do salário mínimo, valorização dos servidores e fortalecimento de programas sociais.
A “guerra dos bonés”
A recente disputa simbólica no Congresso Nacional envolvendo bonés e discursos sobre “comida barata novamente” mobilizou ministros e até o presidente Lula, mas a verdadeira batalha ocorre no dia a dia dos trabalhadores. Os sindicatos seguem na linha de frente, lutando por uma política econômica que assegure estabilidade e condições dignas de vida.
Após parlamentares bolsonaristas irem ao plenário da Câmara usando bonés com slogans sobre os preços dos alimentos, o novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ironizou a situação, afirmando que “boné serve para proteger a cabeça do sol, não para resolver os problemas do país”.
Diante de um histórico de desmonte de direitos e políticas que favoreceram apenas setores específicos da economia, a organização dos servidores e sindicatos permanece como um pilar essencial na defesa da população e na construção de um Brasil mais justo e igualitário.
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