
Se o discurso do governador Hartung é de crise nos cofres públicos, não sendo possível gastos “adicionais”, ele próprio e seus secretários deveriam ser os primeiros a darem o exemplo. Certo? Errado! Infelizmente, a realidade no Espírito Santo é diferente. Uma nova “função” atribuída ao chefe da pasta da Segurança Pública, André Garcia, vai render de extras ao bolso do secretário nada menos que R$ 5.536,26 mensais.
Garcia foi nomeado para integrar o Conselho de Administração da Cesan, colegiado que se reúne uma vez por mês. Ou seja, a nova renda do secretário é para pagar a participação em uma única reunião mensal, a título de jeton (gratificação pela participação em reuniões de órgãos de deliberação).
Além dos salários astronômicos e incompatíveis com a realidade dos demais servidores públicos – que sequer recebem a recomposição salarial referente à inflação –, o secretariado do governador Hartung ainda acumula regalias, como os jetons. E com um agravante: não há obrigatoriedade desses valores estarem publicados juntamente com a remuneração do secretário, no Portal da Transparência. Com isso, as absurdas “verbas extras” ficam escondidas podendo a remuneração do secretário ultrapassar o teto do governador. Essas são manobras para burlar a Constituição Federal e ludibriar o povo capixaba, que paga a conta sem nem saber.
Caso de polícia?
Outro fato inexplicável com a nomeação de Garcia para a nova função generosamente gratificada: qual é a necessidade do chefe da pasta de Segurança Pública integrar o Conselho da Companhia de Saneamento? Fica a dúvida: a administração da crise hídrica, oriunda do tal descaso do Estado para com suas reservas naturais, virou caso de polícia?
Estranho ainda é que o fato ocorre em meio a maior crise hídrica do Espírito Santo, quando os esforços e recursos da Cesan deveriam estar voltados a políticas públicas efetivas que garantissem o devido abastecimento do território capixaba. Pergunta-se ainda, qual é o conhecimento técnico do secretário na área de saneamento? Caso semelhante é o do secretário de meio ambiente, Rodrigo Júdice, que nada sabe de meio ambiente.
A nomeação do secretário mostra-se como mais um tropeço da gestão duvidosa, irresponsável e interesseira do governo do Estado, em que os poderosos são beneficiados enquanto a população capixaba é quem paga a conta, sofrendo com serviços públicos sucateados e uma administração temerária.