Crise no ES: índice de homicídios é superior a 300% nas primeiras semanas de fevereiro

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Foram 145 assassinatos em apenas 10 dias e ao contrário do que disse Hartung, o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES) garante que os números são confiáveis. Os dados são da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), do Departamento Médico Legal e do Centro Integrado de Defesa Social (Ciodes).

A onda de violência gerada com a paralisação dos policiais militares aterrorizou os moradores do Espírito Santo. O levantamento feito pelo Sindipol/ES aponta que 29 dos 78 municípios capixabas registraram assassinatos entre 04 e 13 de fevereiro. No período foram 145 homicídios. As mortes violentas registradas no Espírito Santo durante a paralisação dos policiais militares foram por arma de fogo ou arma branca, segundo o levantamento.

Se comparado com o mesmo período do ano passado, o número aponta um aumento superior a 300% no Mapa do Crime de 2016.  

O Sindicato dos Policiais civis acredita que o número de mortos pode ser ainda maior, já que não foram contabilizados casos de pessoas que sofreram tentativas de homicídio, que foram socorridas e morreram no hospital.

Crise nos municípios

Na Região Metropolitana, o município de Serra foi o que mais registrou mortes: 32 no total. No levantamento do Sindipol/ES, Vila Velha apresenta 19 mortes, Cariacica 20 mortes, depois Vitória, 11, Guarapari com 4, Viana com 3 e Fundão com 2 assassinatos.

Os dados do Sindicato dos Policiais Civis também revelaram o bairro que registrou o maior número de homicídios. O primeiro é Morada de Laranjeiras, na Serra, onde 6 pessoas foram assassinadas. O segundo é Aribiri, em Vila Velha, 5 mortes.

No interior, o município mais violento foi São Mateus, no Norte do estado, que teve 9 mortes. Em Nova Venécia, no Noroeste, foram 8 assassinatos.  Veja Lista Completa.

LISTA DE MORTES POR MUNICÍPIO – PERÍODO 4 e 13 de fevereiro

 

 

 

AGUA DOCE DO NORTE 2
ANCHIETA 1
ARACRUZ 3
BAIXO GUANDU 1
BARRA DE SAO FRANCISCO 1
CARIACICA 20
COLATINA 5
CONCEIÇAO DA BARRA 2
FUNDAO 2
GUARAPARI 4
IBATIBA 3
ITAPEMIRIM 1
LINHARES 6
MANTENOPOLIS 1
MONTANHA 2
MUCURICI 1
NOVA VENECIA 8
PINHEIROS 1
PRESIDENTE KENNEDY 1
RIO NOVO DO SUL 1
SANTA TERESA 1
SAO GABRIEL DA PALHA 1
SAO MATEUS 9
SERRA 32
SOORETAMA 2
VIANA 3
VILA VALERIO 1
VILA VELHA 19
VITORIA 11
Total geral 145

Dados foram colhidos pelo Sindicato pensando na segurança do policial civil

O Sindicato dos Policiais Civis começou a colher e divulgar os dados e informações desde o início da paralisação da Polícia Militar. Os diretores do Sindipol/ES explicaram que foram ao DML de Vitória averiguar as denúncias de superlotação e da falta de condições de trabalho para os policiais civis trabalharem, mas se espantaram com a quantidade de mortos e de pessoas que aguardavam a liberação de corpos de familiares.

“Fomos saber como estavam os policiais civis diante dessa crise na segurança e constatamos que eles estavam com medo, inseguros e sobrecarregados de trabalho.”, explicou Jorge Emílio Leal, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do estado.

Respondendo às críticas do Governador Paulo Hartung, que em entrevista disse que as informações do Sindipol/ES não são confiáveis pelo fato do Sindicato ter anunciado uma paralisação se ele não atender a pauta de reivindicações da categoria em 14 dias, o Sindipol/ES deixa claro que, primeiro, a Assembléia onde a categoria definiu greve foi na quinta-feira (09), e o movimento das mulheres dos militares já havia atingido o ápice da desordem na segurança pública capixaba.  Ainda sobre a possível paralisação, o Sindipol/ES explica que já havia informado a insatisfação dos policiais civis ao Governo do Estado, assim como os familiares dos policiais militares que buscam respeito e investimento.

Segundo ponto, os diretores do Sindicato são profissionais experientes que trabalharam nos mais variados e importantes setores da Polícia Civil capixaba. Eles voltaram para as ruas e visitaram várias unidades policiais justamente pela ausência de informações que deveriam ter sido repassadas pelo Estado aos demais servidores públicos e à população por meio da imprensa.

O Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo finaliza lembrando que é única e legítima organização sindical que representa a categoria policial civil capixaba, por isso, tem a responsabilidade de atuar quando o poder público é omisso e nega direitos trabalhistas aos servidores.

Fonte: Sindipol