Ficou mais do que clara a estratégia da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES) na tarde desta segunda-feira (4). A reunião do Conselho Estadual de Cultura (CEC), marcada pelo próprio secretário João Gualberto, ex-diretor do Instituto Futura, na última segunda-feira (27), em meio à pressão da classe artística, foi organizada para ser realizada no Theatro Carlos Gomes, Centro de Vitória, a pedido dos próprios artistas. Gualberto aceitou. O movimento #OcupaSecult passou a semana inteira divulgando a reunião e a importância da participação em massa. Mas faltando apenas uma hora e meia para sua realização, a Secult anunciou, em nota, a mudança do local do encontro.
O novo endereço foi o auditório da Escola do Carmo, também no Centro. No entanto, a estratégia de dispersar o público, não foi suficiente para desmobilizar a categoria, que lotou o encontro com mais de 300 artistas e demais representantes da sociedade civil.
Durante toda a reunião a insatisfação era geral, com artistas protestando contra o secretário e pedindo a saído do mesmo da pasta, gritando em coro #vaicair.
O Conselho iniciou as atividades com as falas de abertura seguidas de um coral em uníssono de artistas apresentando os pontos de pauta para discussão. Na ocasião foi lembrada a arbitrariedade da reunião do CEC, do dia 23 de abril, quando o secretário teria xingado uma participante; a criação do Fórum Livre de Cultura Capixaba e sua legitimidade; assim como apresentados os tópicos consensuais entre a classe, discutidos em reuniões pelos artistas durante a ocupação na Secult.
Entre os pontos de pauta estão: formalização e execução do Fórum Estadual Permanente de Cultura do Espírito Santo, com representações governamentais, civis e populares; comprovação pública da existência da conta e do CNPJ do Funcultura; prestação de contas detalhada e pública na reunião do Conselho Estadual de Cultura da parceria entre governo do Estado e Instituto Sincades; publicação imediata da portaria de criação da comissão cultural de análises de portos aprovada por unanimidade há dois anos no CEC; criação imediata do Instituto de Patrimônio Cultural do Espírito Santo e reforma do Conselho Estadual de Cultura; destinação de R$ 11 milhões em verbas públicas do governo do Estado aos editais Funcultura 2015 – manutenção do orçamento de 2014 de R$ 8 milhões e adicional de R$ 3 milhões para as novas modalidades de editais (transversais).
Após os questionamentos, o secretário João Gualberto se pronunciou que não pode tomar decisões sozinho e irá levar os encaminhamentos na próxima reunião do Conselho, marcada para quinta-feira (7), ainda sem local definido. “Julgo que essa reunião expressa o sentimento de vocês, mas não é possível discutir os editais em cima assim, quero discutir a política e a lógica dos editais – que fazem parte de um sistema. Eu não tenho condições de fazer sozinho. Me parece que boa parte das propostas já está nas redes sociais e são plenamente discutíveis, elas gerarão diálogos produtivos. Não posso prometer chegar com respostas, mas com processos e encaminhamentos na quinta-feira”, falou brevemente.
Quanto ao pedido dos artistas de uma verba de R$ 11 milhões para ser destinada à cultura, o secretário também não se pronunciou. Espera-se assim que para quinta-feira, momento em que se espera respostas e prazos do CEC.
Até lá, o movimento #OcupaSecult decidiu desocupar a entrada da Secult, mas segue com o movimento ativo nas redes sociais, no aguardo de um posicionamento positivo do secretário. Por enquanto, o coro é um só: “vai cair” – em referência à saída do secretário da pasta.
Com informações do Século Diário e Ninja ES.