

Estudo do DIEESE aponta os riscos do corte de R$ 200 bilhões proposto pelo candidato.
O Sindipúblicos reforça o alerta feito pelas centrais sindicais brasileiras sobre os riscos do chamado “tesouraço”, a proposta de cortes de R$ 200 bilhões no orçamento federal defendida pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O documento é assinado por CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical e Pública Central do Servidor, e se baseia no estudo “Cenários do Tesouraço: efeitos sobre a economia e o mercado de trabalho”, elaborado pelo DIEESE a pedido das centrais.
Os números do estudo
Segundo o DIEESE, somente no primeiro ano o ajuste provocaria:
– queda de 1,55% no PIB;
– eliminação de 2,2 milhões de postos de trabalho;
– redução de R$ 46,8 bilhões na arrecadação tributária.
Para as centrais, os cortes não atingirão apenas o orçamento público: reduziriam a atividade econômica, o consumo e a renda das famílias.
Ameaça direta ao serviço público
O ponto mais grave para os servidores está na conta do ajuste. Embora o candidato afirme que não cortará recursos das áreas sociais, o estudo mostra que um corte desse tamanho só seria possível mexendo nas maiores despesas do Estado, como as transferências de renda e os gastos com pessoal. Isso exigiria mudanças constitucionais capazes de afetar os pisos de saúde e educação, os investimentos públicos e a valorização dos servidores.
Na prática, o risco é de congelamento de salários, falta de concursos, sucateamento de estruturas e piora no atendimento à população em escolas, hospitais e demais serviços essenciais.
Um corte que não resolve o problema da dívida
O estudo também aponta uma contradição: a queda na arrecadação consumiria cerca de 40% da economia prevista com os cortes. Com menos receita, o governo teria de abrir mão da meta fiscal ou promover novos cortes, alimentando um ciclo de retração e crise.
Responsabilidade fiscal a serviço do desenvolvimento
As centrais defendem que a responsabilidade fiscal deve servir ao desenvolvimento nacional, e não justificar a retirada de direitos. O caminho apontado é uma estratégia que combine crescimento econômico, trabalho decente, valorização salarial, fortalecimento dos serviços públicos e redução das desigualdades.
O Sindipúblicos convoca os servidores capixabas e toda a sociedade a conhecer o conteúdo do estudo e a refletir sobre o que está em jogo no segundo turno, no próximo domingo (25). Defender o serviço público é defender o direito de toda a população a saúde, educação e segurança de qualidade.
Clique abaixo e confira a nota na íntegra.
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Texto: Douglas Dantas Foto: SEEB/CE