Casagrande faz chantagem com população do interior e elogia deputados que defendem a Rodosol

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casagrande_afonso_claudioMais uma vez a voz do empresariado falou mais alto, e os deputados, à mando do governador Casagrande, defenderam fervorosamente o pedágio. O que contribui para reforçar a teoria de que os políticos com mandato não merecem ser reeleitos.

Seria ingenuidade acreditar que o resultado da votação fosse diferente, já que a CisaTraiding, uma das acionistas da Rodosol doou mais de 1,2 milhão, segundo site do TSE para a campanha do governador Casagrande e da maioria dos deputados que votaram, no último dia 15 de julho, pela manutenção de um dos pedágios mais caro do Brasil considerando valor pago por km.

Votaram contra o povo e a favor da Rodosol: Cacau Lorenzoni (PP); Da Vitória (PDT); Dari Pagung (PRP); Elcio Alvares (DEM); Freitas (PSB); Gildevan Fernandes (PV); Glauber Coelho (PR); Jamir Malini (PTN); Janete de Sá (PMN); José Carlos Elias (PTB); Luiz Durão (PDT); Luzia Toledo (PMDB); Marcelo Santos (PMDB); Paulo Roberto (PMDB); Sandro Locutor (PV) e Sérgio Borges (PMDB). Theodorico Ferraço (DEM), apesar de apoiar o governo, não votou por presidir a sessão.

Com uma manobra política típica de governos ditatoriais, o governador chegou a ameaçar prefeitos e moradores de cidades do interior, jogando o povo contra o povo. Em discurso na inauguração de uma praça em Alfredo Chaves (isto mesmo, o governador, com tantas reivindicações mais importantes estava inaugurando uma praça!) ameaçou a população local dizendo que se o pedágio fosse suspenso, os investimentos no interior seriam cortados.

Casagrande ainda destaca o valor que seria pago à Rodosol caso o contrato fosse suspenso: R$ 500 milhões. Uma grande mentira, já que um contrato sendo julgado como irregular, conforme vários indícios levantados (aditivos irregulares beneficiando apenas a Rodosol e onerando o Estado, ausência de cláusulas que exija a qualidade de serviços, entre outros). Outra mentira é que mesmo se fosse devido, entraria para uma fila gigantesca de precatório. Por fim, o mais estranho é o governador já saber até os valores que seriam pagos à Rodosol.

No vídeo (veja aqui) ele discursa: “Querem fazer o rompimento deste contrato [com a Rodosol] unilateralmente por um Decreto Legislativo que tramita na Assembleia Legislativa. Se fizermos isso, eu vou ter que indenizar um dinheiro grande à empresa que faz a gestão desta rodovia, desta ponte. Dinheiro do povo capixaba que eu vou ter que pegar e vou ter que pagar, dinheiro grande, chega próximo a 500 milhões de reais.”

Casagrande ainda ameaça cortar investimentos no Interior, “não é possível que a gente pegue dinheiro de investimento de Alfredo Chaves, de Iconha, de Presidente Kenedy, de Marechal, de Domingos Martins, e entrega à uma empresa única. Não é possível que a gente tenha que tirar dinheiro do Interior para colocar em uma única empresa, e para atender ao problema que hoje afeta dois, três municípios do Estado.”

No final, ainda agradece seus amigos que defendem a Rodosol na Assembleia. “Então quero agradecer os deputados que atuam aqui. Atuam aqui o Glauber, atua aqui o Sérgio Borges [líder do governo na ALES], atua aqui outros parlamentares. Eu quero fazer aqui o agradecimento (…) como foi responsável o deputado Gildevan, que foi corajoso(…)”

A atitude desesperada do governo, também foi notada na violenta repressão do BME, contra manifestantes, sociedade que passavam perto da ALES e inclusive a imprensa, que foi encurralada por várias vezes, evitando que os jornalistas registrassem a barbárie que estava acontecendo na rua para evitar que a sociedade acompanhasse toda a manobra política que acontecia no plenário da casa.

A população, traída pelos deputados e governador, já articula uma nova manifestação e promete levar desta vez 150 mil às ruas. A avaliação dos analistas políticos é que toda essa defesa do empresariado se refletirá nas urnas. Com tanta traição, não tem como votar em quem tem mandato.
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