

A crescente insatisfação entre os servidores públicos estaduais do Espírito Santo ganhou força nesta quarta-feira (25), durante reunião estratégica entre a diretoria do Sindipúblicos, lideranças das associações e comissões de servidores. Embora sigam cumprindo o calendário de negociações com o governo, os servidores já sinalizam disposição para intensificar a luta pela defesa da reestruturação das carreiras.
“A nossa tendência é mostrar que estamos atentos e fortes. Se houver atraso no cronograma, vamos iniciar mobilizações e, se necessário, deflagrar greve. Quem precisa de dinheiro tem pressa”, afirmou a presidenta do Sindipúblicos, Renata Setúbal, ao destacar o impacto da crise financeira pessoal vivida pela maioria dos servidores — evidenciado por um auditório quase unânime em possuir empréstimos consignados.
União e recado direto ao Palácio
O servidor do Incaper, Moyses Marré, defendeu a necessidade de uma mobilização unificada e incisiva, alertando para o risco de o governo adotar soluções paliativas. “Não aceitamos remendos. Atender uma categoria e ignorar outras é dividir a luta. Precisamos de ações firmes, como uma vigília com mil servidores. Se o calendário servir apenas para nos empurrar com a barriga, não podemos esperar até o fim do ano.”
Já o agente de suporte educacional Nelson Torres destacou os desafios de mobilizar servidores espalhados por diferentes unidades, especialmente nas escolas. “Mesmo quem não está aqui, está representado. A luta é por todos nós.”
Justiça para os aposentados
A voz dos aposentados também ganhou eco. Solon Borges, servidor aposentado da Sesa/Seger, criticou a reestruturação de 2022 (Lei Complementar 1005), que excluiu diversas carreiras de nível médio. Ele espera que a nova proposta corrija essas distorções, defendendo que a valorização seja ampla e igualitária, também para os inativos, das carreiras que ainda estão vigentes no Estado. Aproveitou ainda para elogiar a atuação do Sindipúblicos que historicamente conquistou um reajuste de 10% para as carreiras em vacância.
Mobilização cresce até o dia 28 de julho
O assessor sindical André Carvalho elogiou a energia da categoria e reforçou que a mobilização deve se intensificar até o dia 28 de julho, data prevista para a reunião com o vice-governador, Ricardo Ferraço. A Seger retoma as atividades presenciais em 2 de julho, e os servidores já têm ações planejadas:
– 2 de julho (manhã): Café da manhã com pressão na Seger. O objetivo é dialogar com os servidores da base e cobrar a apresentação do estudo de impacto da reestruturação.
– 2 de julho (tarde): Participação no Orçamento Participativo na Serra, buscando inserir a pauta do funcionalismo no planejamento estadual. É prevista a presença do secretário de Planejamento.
– Redes sociais: O Sindipúblicos fortalecerá a campanha digital, incentivando o compartilhamento de conteúdos e engajamento online pelas associações e servidores.
A expectativa é que a pressão dos servidores continue crescendo, cobrando do governo respostas concretas e um compromisso efetivo com a valorização do funcionalismo público capixaba. Os próximos dias serão cruciais para definir os rumos das negociações, e a categoria se mostra determinada a lutar por seus direitos.
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Texto e Foto: Douglas Dantas