Audiência pública irá discutir descarte inadequado de medicamentos

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Medicamentos

Com o objetivo de buscar solução para o grave problema do descarte incorreto de medicamentos, será realizada nesta sexta-feira, dia 21 de novembro, uma audiência pública reunindo o Fórum da Comissão da Campanha Contra Automedicação e Descarte Inadequado de Medicamentos e o Comitê Executivo Estadual do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde, Iema, Seama, Ministério Público, entre outros órgãos.

O Fórum foi criado em agosto de 2012 e tem como desafio sensibilizar os órgãos competentes no Espírito Santo a promoverem estudos para o descarte adequado dos medicamentos e do lixo hospitalar, que geram risco para as pessoas e o meio ambiente.

O Sindipúblicos entende ser de fundamental importância a discussão deste tema, e cobramos uma ação efetiva do Estado para que esse possa garantir que a sociedade tenha acesso ao correto descarte dos medicamentos, como a implantação, por exemplo, de postos de coleta de fácil acesso à todos.

A saúde em risco

Segundo informações do Fórum, já há estudos mundiais que demonstram que várias substâncias dos medicamentos descartados no esgoto doméstico são persistentes no meio ambiente e não são removidas por completo nos processos de tratamento convencional de água nas ETEs. Antibióticos, hormônios, anestésicos, anti-inflamatórios, entre outros, foram detectados no esgoto doméstico, em águas superficiais e de subsolo em vários países. Na Alemanha, 18 antibióticos foram identificados em efluentes de ETEs e águas superficiais.

Segundo pesquisadores do tema, os medicamentos são desenvolvidos para serem persistentes, mantendo suas propriedades químicas de forma a servir a um propósito terapêutico. Contudo, de 50% a 90% de uma dosagem do fármaco é excretado inalterado e persiste no meio ambiente. Assim, o uso em excesso de antibióticos acarreta dois problemas ambientais: o primeiro deles é a contaminação dos recursos hídricos e o outro é o fato que esses produtos acabam com micro-organismos menos resistentes, deixando vivos apenas os mais resistentes.

Em consequência disso, as bactérias podem fazer mutações no seu material genético, adquirindo resistência aos fármacos. Ou seja: uma bactéria presente em um rio que contenha traços de antibióticos pode adquirir resistência a essas substâncias, comprometendo o combate às doenças e a qualidade de vida das pessoas.