

A defesa dos parques estaduais mobilizou um público diverso na tarde desta quinta-feira (12), na Praça Oito, em Vitória. Sindicalistas, parlamentares, estudantes, professores, quilombolas, movimentos sociais e ambientalistas participaram do ato organizado pelo Movimento em Defesa das Unidades de Conservação do Espírito Santo. Entre as entidades presentes, destacou-se o Sindipúblicos, representado por sua secretária-geral e servidora do Iema, Silvia Sardenberg.
Com faixas e cartazes, os manifestantes se revezaram ao microfone para alertar sobre os prejuízos que o Programa de Desenvolvimento Sustentável das Unidades de Conservação (Peduc) pode trazer. Idealizado por Felipe Rigoni (União Brasil, é isso mesmo?), secretário de meio ambiente, e apoiado pelo governador Renato Casagrande (PSB), o programa prevê a concessão de parques estaduais à iniciativa privada por 35 anos, permitindo exploração turística em áreas sensíveis. Representantes do Sindipúblicos criticaram a proposta, apontando que ela desconsidera impactos ambientais e sociais e reforça a mercantilização de patrimônios públicos.
Carta aberta ao governo
Além do ato, o movimento protocolou uma carta aberta junto ao governo estadual. “Para o governo, parece que não tem nada acontecendo. A secretaria está focada nessa questão da privatização, enquanto as reais demandas ambientais do Estado, como a degradação, poluição atmosférica e das águas, continuam intangíveis”, declarou o biólogo Walter Có.
Silvia Sardenberg destacou a importância de investir no Iema para garantir a gestão eficiente dos parques estaduais. “Temos visto um projeto, que não é de agora, de desmantelamento do Iema para forçar a sociedade a defender uma privatização. Sem investimentos, apesar do caixa bilionário do Estado, o Iema não consegue atuar como deveria na fiscalização e gestão dos parques. Precisamos que o governo cumpra o seu papel e proteja nossos últimos refúgios de biodiversidade”, afirmou.
Impactos ambientais e sociais
Os manifestantes alertaram que a implementação de estruturas de grande impacto, como tirolesas, teleféricos, pousadas e estacionamentos, pode comprometer a preservação das áreas protegidas. Espécies ameaçadas presentes em parques como Itaúnas, Paulo César Vinha e Forno Grande estariam especialmente vulneráveis ao aumento do fluxo turístico.
Comunidades locais, como a vila de pescadores de Itaúnas, também enfrentam conflitos. A instalação de um escritório temporário do Peduc no parque, sem consulta ampla, gerou tensões e pedidos por audiências públicas. Até o momento, apenas a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa realizou três audiências sobre o tema, que confirmaram o descontentamento popular.
Consultoria milionária sem licitação
Outra crítica dos manifestantes recai sobre a contratação da consultoria Ernst & Young, que recebeu R$ 8 milhões, com dispensa de licitação, para desenvolver os modelos de concessão. Documentos apontam que a consultoria não possui experiência na área ambiental, focando exclusivamente em aspectos econômicos, em desacordo com o objetivo constitucional dos parques de preservação ambiental.
Mobilização e resistência
A manifestação desta quinta-feira integra uma série de ações contra a privatização das unidades de conservação no Espírito Santo. Além do ato, atividades como audiências públicas, palestras e eventos culturais têm sido promovidas. Entre elas, destaca-se uma exposição itinerante sobre a biodiversidade dos parques e um abaixo-assinado que já ultrapassou 11 mil assinaturas.
“Queremos um governo que priorize o meio ambiente e o interesse coletivo, não que transforme nossos parques em mercadoria”, concluiu Silvia Sardenberg.