

Marcha pela Saúde reuniu manifestantes nesta quinta (7) no Centro de Vitória.
Evento chama a atenção para a luta pelo direito à saúde e qualidade de vida da população.
O Sindipúblicos, reunido com o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (SindSaúde-ES), Sindicato dos Enfermeiros do Espírito Santo (Sindienfermeiros) e Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores em empresas prestadoras de serviços de asseio (Sindilimpe- ES), esteve presente com militantes e sociedade civil no ato político do Dia Mundial da Saúde, que aconteceu na manhã desta quinta (7), no Centro de Vitória.
Os manifestantes saíram da Praça Getúlio Vargas e ocuparam as escadarias do Palácio Anchieta em defesa do Sistema Público de Saúde (SUS), contra os desmontes e por valorização dos servidores e trabalhadores que dão suporte para a efetivação dos serviços essenciais à população.
Na ocasião, a Diretora de Finanças do Sindipúblicos Magna Nery Manoeli, técnica em enfermagem, reforçou a centralidade do serviço de saúde como condição de garantia da qualidade de vida:

“Estamos aqui para demonstrar à população a necessidade de fortalecer o Sistema Único de Saúde e também a valorização dos profissionais para oferecer um serviço de qualidade para a população do estado do Espírito Santo”, destaca Magna.
Para o Diretor de Comunicação do Sindipúblicos José Roberto Gomes, o dia 07 de abril é um momento privilegiado para recuperar o legado do movimento sanitarista.
“A compreensão da importância do SUS e de seu fortalecimento permanente precisa ocorrer no contexto da seguridade social, ao lado da assistência e da previdência, resgatando os conceitos de necessidade e universalidade defendidos pelo movimento sanitarista”, ressalta José Roberto.
A presidente do Sindisaúde Geiza Pinheiro relembrou as vidas perdidas de trabalhadores que atuaram na linha de frente durante a crise sanitária provocada pela pandemia da Covid-19 e defendeu a importância de toda a população reconhecer que faz uso de algum serviço ofertado pelo SUS.
“Perdemos quase 700 mil pessoas. Hoje estamos aqui porque precisamos de qualidade dos serviços, trabalho e salário dignos para atender os usuários. Defendemos o Sistema Único de Saúde, a vida e a ciência. Todos nós precisamos defender o SUS, todos nós que bebemos água, vamos a um supermercado, a lojas, usamos o serviço de transporte, estamos fazendo uso do Sistema Único de Saúde. Somos contrários às organizações criadas e as fundações que trazem prejuízos para os trabalhadores e trabalhadoras, por isso reivindicamos a realização de concursos públicos no SUS”, declarou a presidente do sindicato.
Segundo o Diretor de Comunicação do Sindsaúde, Romário Gaudencio Florentino, a marcha simboliza a luta pela valorização dos servidores da saúde, além de celebrar a vida dos trabalhadores e o avanço da vacinação que conteve o agravamento do quadro de óbitos:

“Nós perdemos muitos servidores da saúde não só no estado como no país inteiro vítimas dessa pandemia, então estamos aqui também para mostrar que estamos firmes e fortes e resistindo”, conclui Romário.
Entre as entidades presentes, representantes do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores em empresas prestadoras de serviços de asseio (Sindilimpe- ES) vieram compor o movimento e expor os impactos que a categoria sofreu durante a pandemia.
A diretora do Sindilimpe-ES Rosemere Vieira Gomes reafirmou o apoio do sindicato à luta pela saúde pública gratuita e de qualidade:
“As auxiliares também não puderam se afastar e nós vimos o sofrimento da nossa categoria naquele momento. Alguns dos nossos diretores também pegaram Covid e sem o SUS sabemos que teria sido muito pior. O SUS representa ao mundo o Brasil para todos”, declarou Rosemere.
“Nós também representamos as trabalhadoras auxiliares de serviços gerais que enfrentaram com muita garra e não deixaram de cumprir o seu papel dentro dos hospitais “Estamos nesse ato valorizando a categoria e juntos somos mais fortes”, disse a merendeira da empresa Serdel Serviços e Conservação Maísa de Oliveira nascimento.
A aposentada Elizabeth dos Reis Tatagiba trabalhou no Hospital Estadual São José do Calçado e veio somar à mobilização do Dia Mundial da Saúde:
“Nós já enfrentamos situações piores no passado e precisamos continuar lutando para melhorar as condições de trabalho e a qualidade da saúde pública, principalmente com a entrada dessas OS, eu acredito que a tendência é piorar. Eu já notei diferença no atendimento e para os trabalhadores, quando o servidor é concursado o Estado tem mais responsabilidade”, relata Elizabeth.

O diretor financeiro do Sindicato dos Aposentados Rafael Scardua também enfatizou a importância de se fazer frente aos desmontes na área da saúde:
“No governo do PT nós tivemos alguns avanços, mas o governo Bolsonaro está desmantelando tudo. Nós vimos o descaso dele com quem estava doente, o descaso com a necessidade das vacinas, debochava de quem estava doente e desmanchou as políticas públicas de saúde e de meio ambiente. Então temos que estar na rua para alertar sobre esses ataques à população brasileira”, afirma Rafael.
A Presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-ES), Andressa Barcellos, realçou que o SUS é o maior empregador dos profissionais da saúde e vive um momento crítico de desmonte:
“Temos sentido esse desmonte na atenção básica, nas estratégias de atenção à saúde da família, em reduções de equipe e de programas do Ministério da Saúde. O que é direito de todos tem se tornado cada vez mais um interesse capitalista, isso se revela com as terceirizações e até com a supervalorização das vacinas, que gerou uma CPI”, comentou Andressa.

Representando os estudantes do ensino superior de todo o país, o diretor da União Nacional de Estudantes (UNE) Raphael Reis compareceu para denunciar o desmonte e a privatização de setores públicos estratégicos:
“A educação, a Petrobras, os Correios e acontece um processo muito parecido na saúde com a entrada de organizações sociais e empresas ligadas ao empresariado e ao capital que querem se apoderar dos Postos de Saúde e dos Hospitais Públicos para poder tirar suas fontes de lucro e suas formas de enriquecer em cima de um trabalho precarizado. Se comparar um funcionário de uma OS a um servidor concursado fica evidente a disparidade em questão de direitos, remuneração e condições de vida”, argumentou Raphael.
Ainda nesta quinta-feira (7), às 15h, o Sindicato dos Enfermeiros do Espírito Santo (Sindienfermeiros-ES) mobiliza mais um ato, que tem como pauta principal a aprovação do PL 2564, de autoria do senador Fabiano Contarato (PT), que propõe um piso salarial nacional para a categoria e foi uma das reivindicações da Marcha da Saúde realizada durante a manhã.
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