“As redes sociais são armas contra a cidadania?” 

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Por Éden Valadares.*

Um questionamento atravessa o tempo presente e ecoa, com urgência, nos corredores do poder e nas praças públicas digitais: as ferramentas que prometiam conectar a humanidade, amplificar vozes e fortalecer a democracia estão, na verdade, sendo transformadas em instrumentos de sua erosão? A pergunta não é retórica. Ela nasce da observação concreta de um fenômeno global que, sob o verniz da inovação e da liberdade de expressão, esconde uma arquitetura de poder capaz de minar os alicerces da cidadania moderna.

A cidadania, conceito forjado nas lutas históricas por direitos, representação e autonomia, encontra-se hoje no campo de batalha digital. Neste cenário, a desproporção de forças é avassaladora: de um lado, indivíduos e comunidades nacionais com suas culturas e leis; do outro, um punhado de corporações transnacionais que detêm o controle da infraestrutura, dos dados e, o mais crucial, dos algoritmos que governam o que vemos, pensamos e como decidimos. É a fusão da Guerra Híbrida com o Colonialismo Digital, constituindo uma ameaça multifacetada aos direitos individuais e coletivos.

Neste contexto, o questionamento que fazemos à sociedade brasileira — e especialmente aos operadores do Direito e agentes da comunicação — é se as plataformas podem ser instrumentos de ataque à cidadania. A resposta é afirmativa sempre que essas redes transformam o indivíduo em mercadoria e a privacidade em ativo monetário. O modelo de negócios é predatório por essência, pois nossa intimidade, desejos e medos são rastreados e transformados em perfis comportamentais de altíssima precisão. Se a cidadania pressupõe um espaço inviolável de autodeterminação, torna-se impossível exercê-la plenamente quando cada interação é vigiada e usada para nos modelar.

Portanto, as redes sociais tornam-se armas quando sua arquitetura é orientada para a vigilância, a manipulação e a erosão da soberania nacional, configurando uma ameaça clara à liberdade substantiva e à transparência eleitoral. O Partido dos Trabalhadores, atento a este desafio, compreende que a defesa da democracia já não pode ser feita apenas nos palanques; ela deve ser travada também no campo do código e da governança da internet. O diálogo com o TSE e a sociedade civil é parte essencial desta estratégia de resistência.

O alerta é claro: as redes sociais podem se tornar armas letais se permanecerem como territórios sem lei, controlados por poderes não eleitos e sem responsabilidade perante os povos. Cabe a nós, enquanto Estado e sociedade, desarmar essa bomba-relógio através da transparência e da soberania tecnológica. O Brasil, sob a liderança do governo Lula, tem a capacidade de liderar essa luta pelo Sul Global, reafirmando que a democracia não será refém do Vale do Silício. A cidadania do futuro depende da nossa coragem presente em libertar o voto da lógica do lucro e da armadilha dos algoritmos privados.

 

*Éden Valadares

Secretário Nacional de Comunicação do PT 

 

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