Artigo | Diante da pandemia, o rei se viu nu

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Por Tadeu Guerzet, presidente do Sindipúblicos.

No Brasil já se somam 140 mortes e mais de 4,2 mil casos confirmados de infectados pelo coronavírus. No Espírito Santo existem 72 casos confirmados, nenhuma morte. Seis pacientes em UTIs e 12 casos de cura.

A projeção de renomadas instituições de pesquisas apontam que o pico da infecção surgirá daqui há 15 dias, o que exige de nós neste momento, o maior esforço possível de reclusão.

Este esforço é necessário agora, pois é neste momento que os pacientes do pico serão infectados. Nossa luta é para ganhar tempo, para não abarrotar o sistema de saúde, sistema esse que vem sendo sucateados há anos pelos governos.

O Sindipúblicos é um sindicato que sempre atuou em defesa dos serviços públicos de qualidade, independente de governos e bandeiras partidárias. Nos posicionamos na política nacional quando é necessário. Fomos criticados quando repudiamos falas do Lula sobre o funcionalismo contra a reforma da previdência ainda em 2003. Participamos da greve geral de 2013, ainda no governo Dilma.

Agora, somos obrigados a denunciar a postura irresponsável de Bolsonaro, que coloca vidas de brasileiros em risco devido sua submissão à empresários bilionários, que não pagam impostos compatíveis com sua fortuna, pelo contrário, muitos ainda se beneficiam com isenções fiscais às suas empresas.

Essa crítica é importante pois vai de encontro a tentativa acertada do governo Casagrande em preservar a população suspendendo serviços públicos essenciais e esvaziando ao máximo possível o ambiente dos órgãos estaduais. Atendendo inclusive às demandas que vem sendo realizadas por esse sindicato. Essa medida poderia ter sido tomada antes mesmo de nossas cobranças, mas o que importa é que seja mantida até que reduza consideravelmente a curva de contaminação pelo Coronavíus.

O mundo mais uma vez se vê vítima das políticas liberais de destruição dos serviços públicos. Diante de uma pandemia dessas, o rei se viu nu. O contingenciamento, o arrocho, a lei de teto dos gastos, foram todas medidas que prejudicaram o combate ao alastramento da doença. Não por acaso, diante da impossibilidade de dar respostas, até mesmo Trump se recorre a políticas keynesianas, chorando diante do abismo. Eis que, os que foram tratados como vilões nos últimos anos, o Estado e servidores públicos, chamados até mesmo de parasitas, são os que estão atuando em pesquisas públicas para salvar o mundo. Não era para menos, já que os arautos do livre mercado, economistas anti-estado, se posicionam defendendo que o Estado não pode punir quem vende álcool em gel por 30 reais. “interferência grave do estado na economia”, regurgitam eles! Em nome do axioma fajuto do “livre mercado”, o que vale é a lei da oferta e da procura, não a vida. Mas os servidores públicos estão lá, mesmo quando o plano de saúde diz “não há vagas”.

Temos o dever de dizer “NÓS AVISAMOS”. Quando dissemos que não deveríamos cortar verbas da saúde. Quando dissemos que o controle sanitário, sobretudo, na produção de alimentos, deveria ser melhor valorizado. Quando dissemos que o modelo de renúncias fiscais, sistema tributário regressivo, fabricava um modelo de Robin Hood às avessas, que rouba do pobre e dá ao rico. Com perdas de 30%, estruturas públicas caindo aos pedaços, 60 milhões de brasileiros endividados com nome no SPC, o coronavírus é apenas o coice depois da queda. Fica muito mais difícil para o Estado reagir assim, do que num contexto de bem estar social, de redução de desigualdades sociais e acumulação de riqueza na mão de poucos.

Para sairmos da crise, as medidas do governo, até agora, estão corretas, mas é preciso rever outras coisas.

1 – Revisão da política de renúncias fiscais como forma de elevar a arrecadação do Estado;

2 – Reajuste linear para todos os servidores públicos,  para que se eleve o consumo na economia;

3 – Fim do subsídio do sistema transcol e redução do preço da passagem;

4 – Fim do pedágio da terceira ponte

5 – Exigir a cobrança imediata de multas ambientais das empresas que devem ao Estado;

6 – Adiamento de tributos pagos pelas pessoas físicas e o maior parcelamento desses; bem como conta redução  das tarifas e isenção de água, energia, aluguéis. Além de proibição de ação de despejos e cortes de fornecimento;

Após a superação desta crise, é fundamental que o governo realize concurso público e reequipe o estado do Espírito Santo. Não podemos viver com um Estado tão vulnerável por causa de quimeras e crenças de velhos economistas fracassados com ideias fincadas nos anos 80.