Alerta | Parques do ES podem virar ‘Ibirapuera dos ricos” com preços de aeroportos

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O Programa Estadual de Desenvolvimento Sustentável das Unidades de Conservação (PEDUC) prevê a concessão de seis parques estaduais à iniciativa privada por 35 anos. A proposta vem gerando polêmica. Além de toda situação ambiental, recentes notícias sobre a segregação, devido aos preços praticados em parques já privatizados, como o Ibirapuera, em São Paulo, é um alerta do que pode ocorrer no Espírito Santo. 

Peduc: Falta de diálogo e impactos ambientais

O Sindipúblicos e ambientalistas alertam que o projeto foi conduzido sem diálogo adequado com comunidades locais, como quilombolas e moradores das áreas impactadas. Durante audiências públicas, foi denunciado que as negociações priorizaram empresários, deixando de lado aqueles que mais dependem desses espaços.

Silvia Sardenberg, secretária-geral do Sindipúblicos, defende que a preservação ambiental deve ser prioridade e critica o uso de R$ 8 milhões em recursos públicos para contratar, sem licitação, a consultoria Ernest Young, que não possui expertise ambiental.

Ibirapuera como alerta: exclusão pelo preço

O caso do Parque Ibirapuera, em São Paulo, ilustra o risco do PEDUC para os parques capixabas. Após a concessão à empresa Urbia, os preços de produtos e serviços dispararam. Hoje, o local é comparado aos preços praticados em aeroportos, inacessíveis para grande parte da população.

Em São Paulo até o banheiro virou lounge com duchas para clientes vip de um cartão de crédito. E as antigas duchas públicas, estão sem funcionar.

Veja alguns exemplos de valores praticados no Ibirapuera:

  • Tigela de açaí: R$ 43
  • Tapioca com manteiga: R$ 28
  • Espaguete individual: R$ 105
  • Café expresso: R$ 12
  • Água mineral: de R$ 5 a R$ 10
  • Litro da água de coco: R$ 27

Segundo reportagem do Metrópoles, uma família com dois adultos e três crianças pode gastar até R$ 115 apenas com água de coco e picolés em uma visita ao Ibirapuera. Se resolverem fazer um lanche com misto-quente para todos, o valor pode chegar a R$ 160.

Além disso, pequenos comerciantes precisam pagar taxas elevadas para operar no parque. Os donos dos carrinhos de alimentos, por exemplo, pagam uma taxa mensal de R$ 1 mil ou 10% do faturamento, além de R$ 500 pela manutenção do carrinho, além de ter que exibir propagandas de uma cervejaria.

A justificativa da concessionária é que os preços altos são necessários para a manutenção do parque, mas a realidade é que muitas pessoas não conseguem mais frequentar o local como antes.

PEDUC pode criar “Parques de Luxo” no Espírito Santo

Se o PEDUC seguir o mesmo caminho do Ibirapuera, os parques estaduais capixabas podem se transformar em espaços elitizados, afastando a população em geral. Além da exclusão econômica, há preocupações com a instalação de teleféricos, hospedagens e outros equipamentos em áreas de preservação, sem estudos ambientais adequados.

A mobilização contra o PEDUC já reúne milhares de assinaturas, e a pergunta que fica é: os parques capixabas serão espaços públicos acessíveis a todos ou se tornarão territórios de exclusão e exploração econômica? 

Clique e assine o abaixo-assinado contra a privatização dos nossos parques.

 

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Foto: Divulgação / Iema