

“Temos partidos ‘de mentirinha’. Nós não nos identificamos com partidos que nos representam no Congresso. Tampouco esses partidos e seus lideres têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder” Joaquim Barbosa – Presidente do STF
A fala do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, causou um grande mal estar no meio político brasileiro, mas espelha a mais pura realidade não só no Congresso Nacional, mas também nas assembléias e câmeras de vereadores pelo país.
No Espírito Santo, por exemplo, a maioria dos deputados há muito tempo perderam sua essência ideológica e os partidos políticos seu senso crítico. Tornaram-se um mal necessário. Infelizmente são eleitos políticos que não possuem a mínima ideia da importância da sua função. Depois de muitas lutas e de milhares de mortes de cidadãos que combateram a ditadura militar, conquistamos o Estado Democrático de Direito. Infelizmente, todo esse esforço esta ‘caindo por terra’ quando verdadeiros meliantes chegam ao poder para serem os “representantes do povo”.
O Ministro ainda reforça a subserviência do legislativo ao executivo. “O Congresso é inteiramente dominado pelo Poder Executivo. As maiorias, as lideranças do Executivo que opera, fazem com que a deliberação prioritária do Congresso Nacional seja sobre matérias do interesse do Executivo”.
Realidade também verificada na Assembleia, uma vez que temos projetos de leis do executivo sendo votados ‘a toque de caixa’. E os poucos deputados que tentam resistir são tratorados pela máquina dos que dizem amém ao executivo.
A troca de favores entre a maioria dos deputados e o Executivo mostra uma promiscuidade institucionalizada, indiferente de qualquer ideologia política, valendo a premissa: “voto com você, se me conceder um projeto que me interessa”, mesmo que seja contrário aos interesses da sociedade. Um dos exemplos de beneficiamentos em troca de votos aos projetos do executivo é a criação ilegal de cargos temporários no Executivo do Espírito Santo. Não é atoa que hoje o sistema prisional, socioeducativo e a educação têm mais contratações temporárias do que servidores efetivos. Vagas essas destinadas aos apadrinhados políticos. O trato é claro, nós fazemos de conta que fiscalizamos e o Executivo faz leis para nos beneficiar.
E os interesses da sociedade onde ficam? E a criação de leis para melhorar o convívio social? E os projetos visando o desenvolvimento sustentável do Estado? E a saúde pública? E a educação? E a segurança? Bem, a resposta nos parece clara, “do que vocês estão falando não fui eleito para isso!” diria um dos meliantes se tivesse coragem.
O Ministro Joaquim Barbosa apenas fez uma análise superficial da realidade do legislativo brasileiro. Os parlamentares sequer tiveram a hombridade de reconhecer o caos que hoje impera no legislativo do Brasil.
Por Rodrigo da Rocha Rodrigues