

Por Tezeu Bezerra*
Companheiros e companheiras, quando assumimos a linha de frente da resistência contra o desmonte do Estado brasileiro e a privatização fatiada da nossa Petrobrás nos anos sombrios que antecederam 2023, sabíamos que a reconstrução não seria fácil. O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou, antes de tudo, um respiro democrático e a interrupção de uma sangria de direitos que ameaçava não apenas a nossa categoria, mas toda a classe trabalhadora.
Hoje, passados mais de três anos deste novo ciclo, é nosso dever sindical fazer um balanço crítico. O que de fato mudou na vida do trabalhador brasileiro? Quais foram as conquistas reais e onde o capital ainda impõe suas amarras?
O Fim do Arrocho e a Volta do Ganho Real
Para nós, petroleiros, a luta por salários justos sempre esteve atrelada à defesa da soberania nacional. Mas não podemos olhar apenas para o nosso umbigo. A retomada da Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo foi, sem dúvida, a vitória mais estruturante deste governo para a base da pirâmide social.
Lembremos que viemos de um período em que o piso nacional era reajustado apenas pela inflação — um verdadeiro congelamento da pobreza. Com a nova política, o salário mínimo voltou a ter ganho real atrelado ao crescimento do PIB. Saímos de R$ 1.412,00 em 2024 para R$ 1.518,00 em 2025, e em 2026 para R$ 1.621,00. Isso injeta bilhões na economia real, aquela da padaria, do mercadinho, do comércio de bairro, gerando um ciclo virtuoso que beneficia a todos.
Os números não mentem: a renda média do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.378 no início de 2026, o maior valor da série histórica do IBGE, com um ganho real de 3,6% no ano. É o trabalhador voltando a ter poder de compra, voltando a sonhar.
Emprego e a Luta Contra a Precarização
A geração de empregos formais também retomou seu fôlego. Foram 1,4 milhão de vagas com carteira assinada em 2023 e quase 1,7 milhão em 2024, derrubando a taxa de desemprego para 7,8% — o menor índice em uma década.
No entanto, nós do movimento sindical sabemos que não basta ter emprego; é preciso ter emprego digno. A reforma trabalhista de 2017 deixou cicatrizes profundas, legalizando o bico e a precarização. É por isso que celebramos, com cautela e mobilização, as recentes medidas de proteção aos trabalhadores terceirizados — uma realidade que conhecemos bem nas refinarias e plataformas. A garantia de reembolso-creche e a redução da jornada para 40 horas semanais para 60 mil terceirizados da Administração Pública Federal é um passo importante, mas que precisa ser estendido a todo o setor privado.
A Batalha Histórica: O Fim da Escala 6×1
Se há uma pauta que unificou a classe trabalhadora recentemente, foi a luta contra a desumana escala 6×1. O envio ao Congresso Nacional, em abril de 2026, do projeto de lei que propõe o fim dessa escala e a redução da jornada máxima para 40 horas semanais é uma vitória da mobilização popular.
Nós, que operamos em turnos ininterruptos de revezamento, sabemos o peso que a exaustão física e mental tem sobre a saúde e a segurança do trabalhador. A proposta de garantir dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial, para 14 milhões de brasileiros é uma questão de saúde pública e dignidade humana. Mas não sejamos ingênuos: o capital financeiro e o lobby patronal no Congresso farão de tudo para desidratar essa proposta. Nossa mobilização nas ruas e nas redes será fundamental para garantir essa aprovação.
*Diretor da federação Única dos petroleiros e do Sindpetro-NF e Vice Presidente do Partido dos Trabalhadores do estado do Rio de Janeiro
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