

A pauta histórica da CUT — redução da jornada de trabalho sem corte de salários e fim da escala 6×1 — conquistou apoio massivo da população. Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (15) revela que 71% dos brasileiros defendem a mudança, que poderá ser votada no Congresso em maio.
O projeto tem respaldo do governo Lula e enfrenta resistência do setor empresarial, que insiste em prever impactos negativos na economia. Mas os números mostram o contrário: o apoio cresceu em relação a 2024, quando 64% eram favoráveis.
Entre os que já trabalham até cinco dias por semana, o apoio chega a 76%. Entre os que cumprem seis ou sete dias, 68% querem mudança.
O Sindipúblicos também se soma à defesa da proposta, reforçando que a redução da jornada é um passo essencial para garantir mais saúde, equilíbrio e qualidade de vida.
Nesse sentido, o Sindicato também defende que a redução seja realizada nas secretarias e autarquias que ainda possuem funções que atuam em escala 6 x 1, sendo assim ponto de pauta de luta das categorias. Entre essas, temos profissionais na Fundação Carmélia Maria de Souza (RTV), na Ceturb, entre outras.
Estudo da economista Marilane Teixeira, da Unicamp, aponta que a redução de 44 para 36 horas semanais pode gerar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em 4%.
Mobilização nacional
Na próxima sexta-feira (20), a CUT convoca uma mobilização nacional pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada sem corte de salários. A pressão será nas ruas, em cidades que terão atos, e também nas redes sociais, com trabalhadores cobrando diretamente os parlamentares.
“Nada disso vai acontecer sem pressão social. É a classe trabalhadora que faz o Congresso se mexer”, afirmou Loricardo de Oliveira, presidente da CNM/CUT.
Maria de Jesus, secretária de Mulheres da CNM/CUT, destacou o impacto para as trabalhadoras:
“Reduzir a jornada significa justiça. Somos nós que acumulamos a terceira jornada em casa. Essa mudança melhora a vida das mulheres e diminui desigualdades.”
Pesquisas confirmam o respaldo social: 71% da população apoia o fim da escala 6×1. Estudos da Unicamp e do Ipea reforçam que jornadas menores podem gerar milhões de empregos, aumentar a produtividade e reduzir acidentes e doenças ocupacionais — sem quebrar as empresas.
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Texto: Douglas Dantas Foto: Divulgação