7 de setembro | Grito dos Excluídos volta às ruas no Bicentenário da Independência

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Sindipúblicos presente no Grito dos Excluídos
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No próximo 7 de setembro se completam 200 anos da proclamação formal da Independência do Brasil, às margens do rio Ipiranga. Dois séculos depois, os questionamentos sobre a independência continuam ativos, necessitando de uma reflexão permanente das pendências na consolidação de uma nação de fato livre.

Para marcar a data, será realizado pelos movimentos sociais, sindicais e demais entidades da sociedade organizada a 28ª edição dos atos do Grito dos Excluídos e das Excluídas, sob o eixo “Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?”.

O Sindipúblicos convida os servidores à estarem presentes para reforçar a luta pelos direitos sociais. “Para uma nação independente e consolidada é preciso de serviços públicos eficientes com valorização dos servidores e atendimento à sociedade” destaca Iran Caetano, presidente do Sindipúblicos.

O objetivo do Grito dos Excluídos e Excluídas é reverberar a voz dos que não foram incorporados a esse Brasil considerado independente. Com o tema permanente “Vida em primeiro lugar”, o Grito tem marchas previstas em todo o país. Em Vitória, a concentração será às 8h, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), campus de Goiabeiras com caminhada em direção à Gurigica.

Desde 1995, a manifestação faz do 7 de setembro uma data de luta. A ideia de fazer um contraponto ao “Grito do Ipiranga” surgiu há 28 anos durante 2ª Semana Social Brasileira, evento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo lema era “a fraternidade e os excluídos”.

“A luta por liberdade e por independência nunca se completou. A construção da nossa soberania é um projeto em disputa na sociedade”, avalia Ângela Guimarães, presidenta da União de Negras e Negros pela Igualdade – UNEGRO e integrante da Coalizão Negra por Direitos.

Para Dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sócio Transformadora da CNBB, o bicentenário da Independência faz refletir sobre “a situação que estamos enfrentando”.

“Estou pensando na situação dos povos negros, dos quilombolas, dos que estão na periferia e que ao longo da nossa história foram sempre deixados de lado”, diz. “Por outro lado eu vejo o Grito dos Excluídos como um momento importante de retomarmos nossos compromissos, sobretudo com a justiça e os direitos.”

“Hoje o nosso grito não vem de alguém montado num cavalo às margens do rio”, atesta o bispo maranhense. “O nosso grito é também o grito do rio que está sendo aterrado e envenenado, é o grito das florestas sendo derrubadas e de tantos irmãos e irmãs que lutam por vida com dignidade.”

“O nosso grito vem do nosso coração. Que está no nosso corpo. E não, com todo o respeito, de um coração que vai passando de mão em mão”, completa Dom José.

“A gente quer que esse grito ecoe pelo mundo inteiro. Não porque a gente não sabe lutar ou defender nosso território. A gente faz isso há 522 anos. Mas essa luta precisa ser do mundo inteiro porque ao defender nossos territórios, defende-se a vida do planeta”.salienta Márcia Mura, do povo Mura, de Baixo Madeira (RO) e integrante do grupo Wayrakuna, formado por mulheres indígenas.

Grito dos Excluídos – Vitória
Neste ano, a concentração para o Grito começa às 8h, no Teatro Universitário da Ufes, em Goiabeiras. A passeata continuará em direção à sede da Petrobrás, na Reta da Penha, até a praça de Gurigica. O percurso foi escolhido para simbolizar a união da juventude com o trabalhador, do campo com a cidade em defesa das riquezas e das Estatais.

Com informações de Brasil de Fato

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