

Passados 137 anos da assinatura da Lei Áurea, o Brasil ainda vive as consequências de uma abolição incompleta, que libertou juridicamente a população negra, mas a deixou desamparada social e economicamente. Sem acesso à terra, à educação e ao emprego, milhões de pessoas foram lançadas à marginalização, perpetuando um cenário de desigualdade estrutural que atravessa gerações.
A abolição formal não garantiu cidadania plena para os ex-escravizados, que continuaram à mercê do racismo institucional. Até hoje, o Brasil reflete esse legado nos índices de pobreza, encarceramento e violência que atingem majoritariamente pessoas negras. O racismo estrutural se manifesta na falta de oportunidades, na invisibilização da cultura negra e no acesso desigual ao mercado de trabalho e ao serviço público.
Políticas públicas e inclusão no serviço público
O combate ao racismo exige mais do que discursos e homenagens. É essencial que sejam implementadas políticas públicas sólidas, capazes de corrigir os impactos históricos da exclusão negra. Cotas raciais, programas de acesso à educação e ações afirmativas no mercado de trabalho são algumas das iniciativas que podem gerar transformação.
Nesse contexto, a inclusão de negros no serviço público é uma realidade que precisa ser discutida. O Sindipúblicos defende políticas que garantam o acesso do negro no serviço público por meio de cotas e outras ações estruturantes. Para além disso, a defesa irrestrita de combate ao racismo e todas as formas de preconceito. Precisamos ter um serviço público plural e diverso como a sociedade, com negros em todas as instâncias, inclusive nos cargos de chefia.
A luta contra todas as formas de preconceito
Além do racismo, é preciso combater todas as formas de discriminação, como misoginia, intolerância religiosa e xenofobia. A construção de um Brasil realmente inclusivo e democrático passa pela compreensão de que a desigualdade racial não é acidental, mas fruto de séculos de exclusão sistemática.
O 13 de maio de 2025 deve ser um marco de reflexão e ação, pois a abolição da escravidão só será completa quando houver igualdade real de oportunidades e todos os cidadãos puderem sonhar, crescer e ocupar espaços de poder, sem que a cor da pele seja um obstáculo.
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Texto Douglas Dantas Foto: Agência Brasil