Um Estado refém da Rodosol

Passados 29 anos de sua inauguração, em agosto de 1989, a Terceira Ponte tornou um dos símbolos do Espírito Santo. Mas também um entrave na mobilidade urbana e ícone da submissão governamental aos patrocínios (financiamentos) de campanhas políticas realizadas por empresas do grupo Rodosol.

Diariamente os capixabas vivem o drama de insuportáveis engarrafamentos nos horários de picos. E quando a ponte precisa ser fechada para resgatar alguma pessoa em casos de atentados à própria vida, a situação se torna caótica, parando toda região metropolitana da Grande Vitória, como aconteceu nesta segunda-feira, 10 de setembro quando por oito horas a ponte ficou interditada.

São três décadas sem que nenhum governante realizasse  outra alternativa à sobrecarregada via. E pior, mesmo tendo a Terceira Ponte um crescimento de seu fluxo em 450%, nada fizeram. E uma das poucas alternativas à via, que seria o sistema aquaviário, foi extinto em 1998, quando atendia 400 mil/pessoas por mês.

‘Estranhamente’, o sistema aquaviário deixou de existir justamente no ano de concessão da Terceira Ponte, assim foi garantida que parte das 400 mil pessoas obrigatoriamente passaria pela ponte pagando pedágios beneficiando o grupo empresarial, por ora, financiador de várias campanhas políticas.

A submissão dos governos estaduais, justiça capixaba, legisladores e órgãos de controle faz com que toda sociedade capixaba fique refém de uma ligação viária que já se tornou obsoleta e ineficiente, mas o Estado constituído continua sendo incapaz de garantir alternativas, bem como melhorias na própria estrutura para que amenize a tragédia diária que vivem os capixabas que precisam trafegar pela via nos horários de picos.

Situação que se agravou no governo Hartung que paralisou todos os projetos de mobilidade urbana com o decreto de contenção de despesas que congelou todos os investimentos públicos. Até mesmo obras em andamento e outras em licitação foram prejudicadas.

E com um sistema de transporte público cada dia pior, superlotado e demorado, não resta outra alternativa ao capixaba a não ser utilizar carros próprios sobrecarregando ainda mais a via.

Além dos constantes engarrafamentos, vez ou outra, a Terceira Ponte ainda é tristemente utilizada por pessoas que deixam de ver sentido em suas vidas. Algumas, conseguem ser resgatadas antes que o pior aconteça, mas causando verdadeiro ‘nó’ em toda cidade visto a necessidade do fechamento total da ponte.

Mesmo com frequentes suicídios e tentativas desses, a empresa que administra a ponte ignora o assunto sem promover efetivas ações junto aos usuários de valorização da vida. E o Estado mais uma vez se mostra submisso e omisso em efetivas medidas que possam contribuir para garantir a vida dessas pessoas. Muito se discute, mas nada se faz na prática. Que seja ações ‘simples’ como propagar em todo parapeito frases de valorização da vida, como realizado na ponte Mapo na Coreia do Sul. Ou mesmo alguma forma protetiva que evite de fato que as pessoas se joguem de sua estrutura.

Enquanto isso, toda uma geração se vai, sem que nenhum governante ou autoridade competente consiga evoluir para além de uma terceira ponte! E o Estado se revela submisso à uma empresa!

Conforme apurado no site das empresas, o Grupo Rodosol é formado pela Coimex (38%); Tervap Pitanga Mineração e Pavimentação (38%); Urbesa (7,5%); ES 60 Empreendimentos e Participações (9%). Por sua vez, o grupo Rodosol é uma das empresas da Incospal – que também controla: Tervap; Sheraton, Shopping Vila Velha; Cisa Trading, Unimar Transportes, Incospal, Companhia Portuária Vila Velha, Unipetro, Enge Urb. Em buscar no site do T.R.E-ES, algumas dessas empresas constam como doadoras de campanhas de alguns candidatos estaduais.

 

  • Adelimar Almeida

    Ninguém vê isso, enquanto o avestruz continua com a cabeça embaixo da terra, a eleição se aproxima e os mesmos interessados nesse estado de coisas estão tranquilos pois seus interesses estarão resguardados.