Remuneração dos servidores – Debate deve ser qualitativo e não quantitativo

Diante a campanha sistemática da imprensa capixaba, em especial do jornal A Gazeta, contrária à valorização do serviço público, vimos nos posicionar sobre os recentes fatos levantados. Em publicação do dia 22 de junho, o jornal destaca que “Servidores públicos representam 76% do orçamento dos poderes do ES”.

É preciso esclarecer que esse valor apresentado pelo jornal representa a junção das folhas de pagamento de todos os poderes. Fato esse considerado indevido, diante as especificidades de cada um e principalmente os privilégios, benefícios e remunerações totalmente díspares entre esses.

Enquanto os servidores do executivo recebem apenas R$ 300 de auxílio-alimentação, nos demais poderes além dos valores serem bem maiores, ainda possuem outros benefícios.

É injusto unificar as remunerações de todos os servidores públicos, inclusive incluindo nessa mesma conta os membros do Ministério Público, magistrados e secretários de Estado que possuem além de salários altos, direitos a benefícios como o auxílio-moradia, apresentando assim uma falsa realidade. No judiciário, por exemplo, existe ainda auxílio-saúde e creche.

Assim, ao generalizar a situação, dando a entender que os servidores são responsáveis por esse percentual, o jornal contribui com a criminalização do serviço público, colocando-os como privilegiados, o que na prática, não condiz com essa campanha “difamatória” da mídia contra o funcionalismo.

É preciso separar e cobrar sim uma remuneração justa e equânime para todos. Não é mais cabível que apenas uma elite dos poderes receba auxílios e benefícios, que inflam a folha do Estado e acaba prejudicando que os demais servidores tenham uma remuneração justa.

Outro ponto fundamental é que seja realizada uma avaliação qualitativa e não apenas quantitativa. Qual o retorno que a sociedade tem com a valorização dos servidores? Qual a produtividade dos servidores e de cada um dos poderes?

Nessa pandemia, ficou evidente a importância do serviço público na garantia da saúde da população, bem como para levar os mais diversos serviços essenciais à sociedade, destacando assim que a valorização desses profissionais é fundamental para todos.

Não fossem os árduos servidores públicos, muitas vidas teriam se perdido, visto que a maior parte dos atendimentos para Covid-19 estão na rede pública, que depende dos mais diversos funcionários para que a atuação na saúde se concretize.

O Estado é uma grande máquina com várias engrenagens, se uma não estiver bem, as demais não funcionam. Por isso, é fundamental a valorização de todos os servidores, e não apenas, como tem se reforçado nesse momento, para saúde e segurança. Caso o servidor da agricultura não tenha as devidas condições, a comida não chegará na mesa do enfermeiro. Da mesma forma que profissionais da área de TI estiverem mal remunerados e com problemas de infra-estrutura, os hospitais serão afetados em diversos setores.

Ou seja, é preciso que todos, inclusive a mídia, defendam remuneração justa, valorização e condições adequadas de trabalho para todo serviço público. Além disso, mão de obra qualificada em quantidade suficiente que possa atender as demandas sociais.