Nota de Repúdio | Queremos salário digno, não abono!

Governo sem rumo, não conhece situação financeira e penaliza servidores

Vitória, 31 de outubro de 2019

As entidades abaixo, representantes de aproximadamente 40 mil servidores dos poderes Executivo, Legislativo, e Judiciário vem a público repudiar as declarações do Sr. Governador José Renato Casagrande quanto à concessão de abono ao funcionalismo, numa sequência de contradições.

Conforme veiculado pela imprensa, o Governador do Estado, nas redes sociais, forma oficial com que se utiliza para se comunicar com os servidores públicos, em resposta a uma professora, disse que não concederia abono salarial no exercício de 2019. Na sequência, através de matéria jornalística, recuou, informando que analisará o assunto.

Já acostumados com o cenário de total desorganização comunicativa do governador e seu secretariado, que dizem e desmentem a todo o momento as informações, os servidores do Espírito Santo vem a público informar que em reuniões com o secretariado do Governo e inclusive com a Vice-Governadora, que a recomposição das perdas inflacionárias é o foco principal das negociações e não um paliativo e questionável abono salarial.

O abono salarial, além de ser injusto com o funcionalismo, por ser constituído com recursos dos salários dos próprios servidores retidos através da falta de correção da inflação e devolvido no final do ano como forma de propagandear um governo benevolente, também é desonesto com a população, pois visa demonstrar o cumprimento de limites constitucionais e de responsabilidade fiscal.

Um orçamento bem elaborado, planejado e executado de forma correta permite o pagamento de uma remuneração justa, visando reduzir o impacto econômico gerado pela inflação. Ocorre que, o governo vem efetuando um acumulo exagerado de caixa, não corrigindo a remuneração do funcionalismo, não efetuando investimentos importantes, para bater metas fiscais e propagandear “nota A”, visando transparecer a imagem de bom gestor. Porém, ao se aproximar o fim do exercício, existem limites de gastos a serem cumpridos com saúde e educação, sendo o abono um subterfúgio para o cumprimento dessas metas, demonstrando a falta de planejamento e execução orçamentária, abrindo os cofres para gastos desordenados e deixando expostos os recursos públicos para a má gestão e a corrupção.

Além de já penalizados com a ausência de recomposição, que já corroeu aproximadamente 30% da remuneração do funcionalismo, o governo anuncia o confisco de 14% da remuneração, podendo chegar a 22%, com a reforma previdenciária estadual, sem apresentação de cálculos atuariais, simplesmente para reduzir a contribuição patronal e engrossar o caixa estadual, utilizando os recursos dos servidores para corrigir os erros de políticas assistencialistas praticadas no passado e que continuam a se repetir com o citado abono.

Os servidores públicos exigem respeito por parte do Governo, que se nega ao diálogo, não contesta os números apresentados, se contradiz a todo o momento, demonstrando não haver alinhamento entre o próprio secretariado, frise-se o de Planejamento, o de Gestão de Pessoas e o da Casa Civil. Os servidores reforçam à população que o desejado é que se cumpra o direito constitucional da recomposição das perdas inflacionárias e não a concessão de benefícios duvidosos que visam iludir os servidores e a sociedade capixaba.

 

PÚBLICA/ES – CENTRAL DO SERVIDOR

 SINDIPÚBLICOS – SINDILEGIS – SINDIJUDICIÁRIO – SINDSAUDE –

SINDIENFERMEIROS – SINDIFISCAL -SINDIJORNALISTAS- SINDACE – SINDEPES

ACEES – ADEPOL – AESAP – AFIDAF – ASCONTROL

ASSEMPES – ASSIN – FOCATES – ASSAES

  • Mariano Ferregutti

    Sempre gostei do trabalho de vocês, porém há meses ficam só no diálogo, ameaçando um início de movimento contra o corte de nossos direitos. Infelizmente não temos outro alternativa senão a GREVE. Chega de conversa e de ameaça, eles não atendem no diálogo.

    • Schirley

      Infelizmente não tem mobilização para greve. Tenho participado das assembleias e a adesão está baixíssima. Sem volume de servidores nas ruas é inviável declarar greve.