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Ministro admite que governo usará R$ 3 bilhões para ‘comprar’ votos e aprovar Reforma

Presente no plenário da Câmara nesta terça-feira (9), durante o início da discussão da nova Previdência, o ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, admitiu ao site Jota que o governo Bolsonaro utilizou da velha prática da ‘compra’ de votos dos parlamentares por meio de liberação de emendas orçamentárias.

Em conversa com os jornalistas do site Jota, Mandetta teria dito que a liberação de emendas orçamentárias de sua pasta para os parlamentares foi um esforço para a aprovação da reforma, prioridade do governo de Jair Bolsonaro. A declaração difere da do presidente da República, que em entrevista e nas redes sociais disse que a medida é uma ação normal da administração pública, sem relacioná-la com a Previdência.

À Folha, Mandetta disse que a liberação de emendas é uma ação normal, embora seja óbvio, em suas palavras, que ela tenha sido impulsionada pela aproximação da votação da reforma.

A liberação de verbas federais em troca de votos no Congresso, uma das características do chamado toma lá dá cá, é uma prática que Bolsonaro, durante a campanha, afirmou que iria acabar.

Apesar disso, o governo ofereceu a cada parlamentar fiel um lote extra de R$ 20 milhões de emendas (em um total de mais de R$ 3 bilhões). Além disso, acelerou o empenho —que é o registro oficial de que pretende executar aquele gasto— das emendas ordinárias, conforme mostrou a coluna Painel nesta terça: liberou quase R$ 1 bilhão na véspera da votação, tudo relacionado à pasta da Saúde.

Parlamentares do PT foram à tribuna reclamar do ministro, afirmando que ele cometeu crime ao contrariar dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias que veda o uso de verba pública para influenciar votações.

A manutenção da estratégia da compra de votos por meio de liberação de emendas parlamentares revela que tanto governo, quanto os deputados favoráveis à Reforma agem contrários à sociedade, mas pela garantia de benefícios próprios e por vezes, escusos, na manutenção de poder eleitoral.

Com informações da Folha de S.Paulo / Jota