Hartung irá gastar meio milhão para manutenção do Cais das Artes

Iniciadas em 2010, o Cais das Artes irá gerar um novo rombo nas contas públicas estaduais. O governo Hartung autorizou a liberação de mais R$ 533 mil para garantir a manutenção, evitando maior deterioração dos equipamentos e das obras.

De acordo com o Decreto nº 757-S, publicado no Diário Oficial do Estado, o dinheiro extra vai custear serviços de terceiros, envolvidos hoje apenas na manutenção do “elefante branco”. Já foram gastos mais de R$ 130 milhões com as obras do Cais das Artes, recentemente alvo de denúncia por conta da degradação dos equipamentos adquiridos há mais de três anos.

Segundo o decreto assinado pelo governador, os novos recursos sairão do superávit financeiro no exercício de 2017. O dinheiro vai para a conta da Secretaria de Cultura (Secult), que é a pasta responsável pela conclusão da construção.

As obras começaram em 2010, orçadas inicialmente em R$ 115 milhões, com previsão de entrega em 18 meses. Mas o andamento das obras do espaço cultural, projetado pelo famoso arquiteto Paulo Mendes da Rocha, e considerado a “menina dos olhos de Hartung, ” foi marcado por irregularidades e problemas contratuais.

A atual previsão do governo é de que o complexo cultural seja entregue apenas em 2019 e que sejam gastos pelo menos outros R$ 80 milhões, elevando o total da obra em R$ 210 milhões – quase o dobro do inicial, projetado em R$ 115 milhões.

Em maio, o governo contratou a empresa mineira Planep Engenharia, ao custo de R$ 3,8 milhões, para gerenciar as obras, que ainda aguarda decisão da Justiça para serem retomadas.

Em 2015, a Justiça estadual barrou a retomada do projeto, decisão que condicionava o reinício das obras à conclusão de uma perícia solicitada pelo consórcio Andrade Valladares/Topus, então responsável pela empreitada. O grupo alegou prejuízos decorrentes da paralisação das obras, além de serviços realizados que não teriam sido pagos pelo Estado.

O consórcio assumiu as obras após a falência da empresa mineira Santa Bárbara S/A, que iniciou a construção. No entanto, o grupo também não prosseguiu com as obras. O governo alegou que a empresa recebeu adiantamento para compra de aparelhos, mas não o fez.

Na ação, o consórcio também fez críticas à falta de recursos disponibilizados pelo Estado para a conclusão das obras. Ele cita que o governo havia reservado R$ 70 milhões no orçamento de 2014, sendo que a atual administração reduziu o valor para apenas R$ 5 milhões, sob a justificativa da queda de receitas.

O orçamento de 2017 reservou R$ 17,2 milhões para a conclusão, porém, a única despesa hoje é a manutenção do espaço, que se transformou num verdadeiro “elefante branco”.

O Cais das Artes é o símbolo concreto da ineficiência da gestão Hartung. Diferente do que se vende, de um governo austero e técnico, na prática mostra-se um estado loteado por parceiros políticos e refém de empreiteiras. É inaceitável que nesses últimos quatro anos, o governo não tenha conseguido finalizar as obras.

Fonte: Século Diário/ Imprensa Livre-ES