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Governo Bolsonaro insiste na capitalização da Previdência que condenou chilenos à miséria

Prestes a ser votada no Senado, a PEC da Reforma da Previdência foi aprovada na Câmara dos Deputados excluindo a proposta de capitalização. No entanto, o governo Bolsonaro já sinalizou que vai mandar outra PEC criando o sistema de capitalização, mesmo sabendo que o modelo não deu certo em vários países onde foi adotado, como Chile, Argentina, Peru e México. No Chile, por exemplo, os aposentados estão recebendo benefícios de menos de um salário mínimo por mês.

No atual modelo de Previdência brasileiro quem está no mercado de trabalho contribui e garante os benefícios de quem já se aposentou. Todos contribuem: trabalhador, patrão e governo.

Já no modelo de capitalização não tem a contribuição do empregador nem do Estado, é uma espécie de poupança individual do trabalhador, onde ele terá de depositar todos os meses um percentual para a aposentadoria. E quem administra essa poupança são os bancos, que cobram taxas abusivas e podem usar parte do dinheiro para especular no mercado financeiro.

É esse modelo que o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, quer implantar no Brasil. A proposta também é defendida para ser implantada nos estados, conforme já manifestou o ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni.

Transição bilionária e incerta

Em maio deste ano, em uma audiência na Câmara dos Deputados, o secretário de Previdência, Leonardo Rolim, anunciou que o governo estimava um custo de transição do atual sistema de aposentadoria para o regime de capitalização de R$ 115 bilhões em dez anos e R$ 985 bilhões em 20 anos.
No Chile, a transição de uma Previdência pública para a privada custou um Produto Interno Bruto (PIB) inteiro do país e o resultado para os trabalhadores e trabalhadoras vem sendo trágico.

Chilenos na miséria

Segundo dados da Superintendência de Aposentadorias do Chile, após 38 anos do país ter realizado sua Reforma da Previdencia, em 1981 pelo ditador Augusto Pinochet, a média das aposentadorias por idade dos chilenos está em 210 mil pesos (R$ 1.162,00), enquanto o piso nacional é de 301 mil pesos (R$ 1.662,00).
Ainda segundo o órgão, 95% das mulheres aposentadas por idade, recebem apenas 55% do valor do salário mínimo. Enquanto 86% dos homens recebem aposentadorias abaixo do piso nacional.

Casagrande

Apesar de vários dados que comprovam os graves riscos à sociedade, inclusive com possível quebra de municípios capixabas, o governador Casagrande tem defendido fervorosamente a implantação da Reforma da Previdência para os estados e municípios.

O Sindipúblicos reforça sua defesa que os governos precisam antes de penalizar os servidores e a sociedade com uma Reforma da Previdência rever os juros da dívida pública; penalizar e rever os valores dos sonegadores; e eliminar a possibilidade de renúncia fiscal das folhas de pagamento, visto que quando um setor, como atualmente os veículos de comunicação, deixam de pagar ou têm reduzido a alíquota para a Previdência, outros trabalhadores precisarão cobrir esse rombo criado pelo próprio governo.
Com informações de Mundo Sindical