Governo anuncia municipalização de escolas em Guarapari sem ouvir comunidade escolar

 

Mais uma vez a Secretaria de Estado da Educação (SEDU) ignora os preceitos constitucionais passando por cima da comunidade escolar sem dialogar sobre os impactos da medida anunciada. Dessa vez, sem escutar os alunos, pais, professores e demais profissionais da educação, a secretaria anunciou a municipalização de três escolas em Guarapari. A Prefeitura a partir do próximo ano seria responsável pelas unidades Joventina Simões, Escola São José e Celita Bastos.

Com essa medida autoritária, visto que não foi aberto diálogo com a comunidade escolar, dezenas de crianças serão prejudicadas tendo que ser transferidas para outras escolas. Além disso, os profissionais que atuam na Joventina Simões, correm risco de demissão e sequer tiveram tempo hábil para buscar outras vagas nos processos seletivos que são abertos no final de ano. Isso devido o anúncio da municipalização ter acontecido apenas na segunda quinzena de novembro.

Em abaixo assinado, a comunidade escolar solicita que “tendo vista o respeito à comunidade escolar em primeiro lugar e sabendo que na atualidade o modelo de gestão participativo está em voga, tratando-se de um processo que claramente deve ser democrático e respeitoso, solicitamos que toda comunidade escolar seja respeitada, priorizada, incluída, ouvida e faça parte do processo de negociação de uma possível municipalização da EEEFM Joventina Simões, e que seja feito de forma gradativa, clara e inclusiva para todos.” Entre os fatores destacados pela permanência da escola gerida pelo estado está o “resultado positivo do trabalho pedagógico, identificado através das altas taxas do IDEB, o que traz a certeza de um ensino de qualidade”.

Procurada pela comunidade escolar, a Prefeitura de Guarapari se comprometeu de que as crianças permanecerão matriculadas para o ano que vem. No entanto, o Estado até o momento não se pronunciou como vai ser a transição, como por exemplo o tempo de atuação entre a equipe da prefeitura e os servidores estaduais que ali atuam.

O caso só demonstra o autoritarismo que reinou durante os últimos anos na gestão de Haroldo Rocha na Sedu. O Sindipúblicos cobra a imediata abertura de diálogo à comunidade escolar e que os órgãos competentes, como o Ministério Público, façam com que o Estado respeite a sociedade.

A equipe de jornalismo do Sindipúblicos entrou em contato com a SEDU, mas até a publicação dessa reportagem não obteve resposta.