Fórum mapeia uso de 1,2 mil tipos de agrotóxicos no ES 

Em uma ação inédita, uma equipe de profissionais ligados à Comissão de Saúde e Meio Ambiente do Fórum Espírito-Santense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FESCIAT) mapearam os produtos comercializados no Estado durante o primeiro  semestre de 2018.

O FESCIAT nasceu junto ao Ministério Público Estadual, sendo coordenado atualmente pela promotora de Justiça, Sandra Lengruber da Silva e reúne representantes de várias entidades ligadas ao direito do consumidor, da sociedade civil organizada, entre outras, com o objetivo de controlar os impactos do uso de agrotóxico.

Segundo o coordenador desta equipe, o engenheiro agrônomo, servidor aposentado do Incaper, Edegar Formentini, representante da Assin no FESCIAT,  o objetivo é fazer um diagnóstico o mais próximo da realidade possível, para assim contribuir com os  demais pesquisadores e  entidades que trabalham com a temática para que possam planejar com segurança as ações de combate   aos impactos do uso dos agrotóxicos. A equipe pretende ainda continuar o mapeamento. “Identificamos que o Idaf recebia esses dados dos comerciantes mas não fazia nenhuma sistematização e nem dava devida publicidade. Organizamos os dados de consumo por região e identificamos, além do produto comercializado, os princípios ativos utilizados”.

Com a sistematização da comercialização de agrotóxicos ao consumidor por bacia hidrográfica foi levantada a presença de 241 substâncias químicas em mais de 1,2 mil tipos de produtos comerciais utilizados  pelos agricultores capixabas. Foram ainda identificados os princípios ativos mais utilizados, o Glifosato; 2,4D e o Mancozeb.

O profissional  entende que esse número poderia ser bem reduzido e identifica que uma das falhas é por muitas vezes quem orienta a utilização serem os próprios vendedores, que têm interesse na venda.

“Outro dado que verificamos é que se estabelece um calendário de utilização de agrotóxicos, ao invés de fazer um acompanhamento sistemático para identificar o momento da aplicação.  Muitas vezes os agrotóxicos são aplicados mesmo que as lavouras não apresentem nenhuma praga ou anormalidade. Seria mais prudente o uso apenas em caso de necessidade” comenta Edegar.

Para Formentini, falta o governo investir mais na atuação do Incaper, responsável pela extensão rural, capaz de melhor orientar os produtores evitando o uso indiscriminado dessas substâncias que podem trazer graves consequências para a população.

É preciso também o governo dar a devida transparência da utilização dos agrotóxicos no Espírito Santo e reforçar a fiscalização pelo Idaf.