Fim dos serviços públicos? Governo Federal destina apenas 0,27% para investimentos públicos em 2022

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O ministro Paulo Guedes rebaixou o investimento público à patamares inacreditável no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2022, que tramita no Congresso Nacional. Pela proposta da equipe econômica, serão destinados míseros R$ 25,7 bilhões a investimentos públicos no próximo ano, ou mero 0,27% do Produto Interno Bruto (PIB).

A estimativa de execução orçamentária em investimentos públicos neste ano gira em torno de 0,3%. O cálculo, que considera a projeção oficial para o PIB nominal de 2021 e 2022, foi feito pelo consultor de orçamento do Senado Vinicius Amaral.

Valores bem diferentes entre os anos 2010 e 2014 quando ultrapassaram o patamar de R$ 100 bilhões, em valores ajustados pela inflação.

“Os investimentos em nível tão baixo não são suficientes para substituir a própria desvalorização do estoque de capital público. E já temos esse investimento líquido negativo há muitos anos”, ressaltou Amaral ao Valor Econômico. “Isso leva a uma deterioração da infraestrutura do país e, sem dúvida, impede a recuperação econômica”, advertiu o analista.

O mesmo alerta já havia sido feito por economistas da Fundação Getulio Vargas (FGV) em relação ao orçamento deste ano, que atingiu a menor proporção em relação ao PIB de que se tem notícia desde pelo menos os anos 1940. Segundo eles, desde 1947, quando a FGV começou a reunir os dados, jamais o governo federal investiu tão pouco quanto agora.

“É como apenas tapar os buracos da estrada, só para mantê-la existindo. O Brasil tem sérias deficiências de infraestrutura e precisaríamos investir pelo menos 0,5% do PIB só para o que já tem não depreciar. Mas estamos caminhando para praticamente zerar o investimento público como proporção do PIB”, lamentou na ocasião Bráulio Borges, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da instituição (FGV/Ibre).

Negacionismo

Para Saulo Abouchedid, economista do Centro de Finanças e Políticas Públicas da Faculdade de Campinas (Facamp) alerta que a redução do investimento, afeta pontos vitais da economia, a geração de emprego e renda, além das perspectivas de médio e longo prazo para os empresários. “Além disso, a redução do investimento público acaba favorecendo a queda do investimento privado”, disse à reportagem do Valor.

Amaral, o consultor do Senado, propõe uma discussão sobre a flexibilização do teto de gastos para permitir que os investimentos públicos saiam “dessa restrição muito forte a que estão submetidos hoje”. Abouchedid vai além e afirma que “independentemente de o teto de gastos ser bom ou ruim”, seu cumprimento não deve ser a prioridade neste momento. “Não devemos pensar no limite agora, mas na recuperação da economia”, argumentou.

Com informações de Portal Vermelho

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