Fake news | A Gazeta mente ao ‘criminalizar’ licenças médicas no setor público

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Mais uma vez o jornal A Gazeta erra ao generalizar, em editorial nesta quinta-feira (05) que servidores públicos teriam mais facilidade em conseguir licenças médicas. Como se profissionais não tivessem direito a se tratar em tempo hábil.


Porém, o jornal comete grave erro ao utilizar apenas um caso, de um segurado militar, que inclusive possui regime próprio de concessões de licenças, através de junta médica da própria PM/ES, separado dos demais servidores públicos civis. Diferente do que diz A Gazeta, os militares possuem uma junta médica militar que analisa as licenças dos militares caso a caso e concede, ou não, o direito ao tratamento médico sem necessidade de atuação profissional no período concedido. Ou seja, além de atacar os servidores públicos, também coloca em xeque a atuação dos médicos que atendem os profissionais adoentados.


Cabe salientar que a diferença entre o serviço público e privado se dá praticamente apenas na quantidade de segurados atendidos, o que faz com que no serviço público a demanda sendo menor, os servidores consigam perícia com prazo, às vezes menor que o INSS, através dos canais de agendamento telefônico que nos casos dos servidores civis estão sob a responsabilidade do IPAJM.


No entanto, mesmo no serviço público, os servidores, como A Gazeta sequer procurou saber, também tem demandas reprimidas. Um dos nossos diretores, por exemplo, só conseguiu marcar perícia para daqui mais de um mês. Ou seja, não é como o jornal dá a entender, que existem privilégios!


Além disso, o atendimento aos trabalhadores sejam públicos ou privados, não são gratuitos. O trabalhadores pagam, e caro, por terem o direito à licença quando da necessidade médica. No caso dos servidores civis, 14% de seus vencimentos mensais são destinados ao fundo previdenciário/financeiro do IPAJM, para entre outras demandas, suprir esse direito.


E toda licença, seja no público ou privado, possui regras. Pela Lei Complementar 282/2004, os servidores estaduais só podem se afastar, no máximo dois anos, depois disso são afastados para aposentadoria por invalidez, uma vez que até o momento não regulamentaram a readaptação e ainda com proventos proporcionais ou integral, na minoria dos casos, dependendo da moléstia por ele adquirida. Ou seja, paga-se em cima do salário cheio mas quando aposenta por ‘invalidez’ receberá, na maioria das vezes, seus proventos com redução.


No editorial “Licença médica expõe abismo entre setores público e privado” o jornal ainda chega a afirmar que “enquanto para o serviço público, esse acesso é facilitado e pouco transparente – e vale sempre reforçar que as licenças remuneradas são pagas com dinheiro do contribuinte. Uma reforma administrativa precisa enxergar essas incoerências e corrigi-las”.


Ou seja, o jornal mente! Quem paga as licenças são os servidores! São os trabalhadores que tem de seus salários o desconto previdenciário! Além disso, o periódico mostra-se total desconhecimento do funcionamento do setor público ao ignorar as leis de transparência. Aliás, a própria reportagem só foi realizada justamente devido a TRANSPARÊNCIA do setor público onde funcionários têm seus salários, férias e inclusive licenças divulgadas em portais públicos com total acesso à população.Bem contrário à iniciativa privada que funcionários recebem benefícios sem nenhuma transparência também de um órgão público, afinal quem sustenta o INSS somos todos os brasileiros por meio de contribuições previdenciárias e outros impostos.


Usar um exemplo equivocado para justificar a Reforma Administrativa mostra, além de desconhecimento total de A Gazeta, um desespero em defender a privatização do setor público que até o momento só trouxe graves prejuízos ao país, com precarização de serviços, vide a área da saúde com as parcerias com as OS’s que provocou rombos no caixa do Estado. Antes de realizar uma Reforma Administrativa o país precisa de fato de uma reforma tributária solidária, com a taxação de grandes fortunas, entre essas, as dos magnatas da comunicação.


Assim, repudiamos veemente o desserviço prestado pelo jornal em propagar informações inverídicas podendo ser classificadas como fake-news, que eles dizem tanto combater. Contraditório não?

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