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Entrevista | Presidente do Sindipúblicos fala sobre as perspectivas do movimento sindical

Eleito presidente do Sindipúblicos para o mandato 2019/2021, Tadeu Guerzet tem uma trajetória de luta pela sociedade e serviços públicos de qualidade. Confira abaixo a entrevista em que destaca projetos, perspectivas e análise de conjuntura.

Trajetória

Comecei minha militância política no movimento estudantil em 2000. Logo depois, quando eu entrei na UFES em 2003, no curso de Economia, estavam acontecendo no estado diversas mobilizações quando tive contato com pessoas do movimento sindical. Já no primeiro período, fui convidado a compor uma chapa e entrei no DCE da Ufes.  De calouro, fui aprendendo como eram as coisas.

Movimentos Sociais

Mais tarde fui indicado para ser membro do conselho tarifário de transporte público. Foi quando começaram as manifestações mais expressivas contra o aumento, onde conseguimos baixar o preço do Transcol, no Governo Hartung. Esse movimento começou a crescer muito; contra os aumentos de tarifas, outros contra o pedágio da Terceira Ponte e cada vez mobilizando mais. Também no DCE atuamos em outras lutas importantes, como demarcação de territórios quilombolas e outros movimentos sociais.

Atuação Sindical

Saí do movimento estudantil quando passei no concurso público do Estado, em 2010. E imediatamente me filiei ao Sindipúblicos, na primeira semana. Logo depois fui escolhido delegado sindical pela Sedu e comecei a atuar mobilizando os Agentes de Suporte Educacional (ASE’s) e trazendo filiações da categoria. Organizamos uma greve dos ASE’s e conseguimos aprovar o nosso alinhamento.  Em 2015 fui convidado a compor uma chapa sendo vice-presidente do Sindicato. Daí para frente reforcei a atuação na diretoria do Sindipúblicos junto à nossa base.

Motivação

Meu interesse no movimento sindical se deu pela compreensão de que há uma disputa de interesses. Tanto na sociedade, quanto no serviço público. Há o interesse dos patrões versus empregados. Há o interesse do governo e dos servidores.  No geral, o governo sempre atua no sentido de conter gastos para usar esses recursos em prol de seus financiadores de campanhas, dos empresários, dos donos de fazendas, empresas, supermercados, todos esses CNPJs que estão nas listas de isenções fiscais; garantindo as concessões de transporte público, das rodovidas, da Terceira Ponte. E o servidor é sempre penalizado com salários congelados, com reajustes abaixo da inflação e sendo explorados cada vez mais. Percebi que precisávamos organizar a luta para termos mais força. E o único meio de fazermos isso seria no Sindicato, fortalecendo quem já estava organizado. Se você não se organiza para lutar pelos seus interesses, você ajuda quem está querendo retirar os seus direitos.

Desafios da gestão

O principal desafio é reconquistar a categoria. Dos anos 80 para cá, os sindicatos passaram a ser vistos como um balcão de fazer política, uma agência de negócios com interesses partidários. Quando esses interesses se sobrepõem à luta dos trabalhadores, isso acaba se tornando um problema e isso afastou as pessoas. O desafio é como reconquistá-las, não apenas filiando, mas participando efetivamente das ações sindicais, assembleias e manifestações.

Temos que estar mais próximos da base, entendendo o que elas querem, quais são as principais bandeiras e levando isso à frente, mantendo essa relação de fidelidade, sendo transparente, que aniquila o problema da desconfiança em relação aos sindicatos, respeitando e cumprindo os espaços deliberativos, fortalecendo os espaços de assembleias, transparentes, de fácil acesso, que todos possam decidir, votar e falar, congressos que respeitem as deliberações… Ou seja, horizontalizar as decisões. E outra medida é que o Sindicato nunca capitule aos interesses contrários aos da sua base. Além de oferecer serviços, como cursos, festas, lazer, integração, sermos mais atrativos.

Desafios dos servidores

Resistir, é o principal desafio. Hoje muitos servidores não tem visto futuro na carreira pública estadual. Resistir e acreditar que é possível melhorar as condições no serviço público estadual.

Principais bandeiras

Continuaremos a luta por recompor nossos salários e voltar ao patamar econômico que já tivemos. Vamos nos mobilizar contra as retiradas de direitos que principalmente o governo federal,  mas também no plano estadual, propõem como perda de estabilidade e as questões das condições de trabalho; lutar pela previdência; por novos concursos públicos para corrigir o numero de DTs x efetivos; atuar pelo retroativo do auxílio-alimentação indo para instâncias superiores; pagamento dos precatórios; regulamentar direitos previstos na LC46 como auxílio-creche, entre outros.

Pautas Específicas

Também temos pautas específicas. Atendemos muitos órgãos que possuem pautas diferenciadas. Criamos uma diretoria que foi composta com essa preocupação, com servidores vindo dos mais variados locais. Como o fortalecimento do Incaper, Idaf e Iema, garantindo autonomia dessas e demais autarquias, entre outros.

Governo Federal

No âmbito federal  a gente não tem muita expectativa positiva. Avaliamos como muito ruins as indicações para os ministérios. Estamos vendo pessoas sem capacidade técnica fazendo discursos preocupanantes como retirada de direitos previdenciários, trabalhistas, privatizações e um plano econômico que vai contra as necessidades da sociedade. Isso tudo diminui a força dos servidores públicos. No meio ambiente, por exemplo, está  um réu por crime ambiental que ainda defende a flexibilização da legislação.

O plano econômico você já vê que tem tudo pra dar errado. Diferente de Portugal e outros países, que quando estiveram em crise apostou na ampliação dos direitos dos servidores e da população, aqui o governo só fala em cortes, em ajuste fiscal que penaliza apenas a população. Precisamos de uma política que faça movimentar dinheiro no país, que movimenta o mercado, que gere empregos, que aumenta a arrecadação de impostos, que possibilita novos investimentos do estado.

Governo Estadual

Temos desconfiança. O governo Casagrande começou com sinais positivos, indicando pessoas com formação técnica e bem qualificada para algumas pastas como secretaria de educação, saúde, direitos humanos e cultura. São nomes conhecidos dos movimentos sociais e sindical, com abertura política. Já tivemos reuniões com esses secretários, foram boas conversas para discutir as pautas que não conseguimos encaminhar no governo anterior. Já tivemos Casagrande como governador e não foi  uma relação muito boa na época. Agora esperamos que essa nova gestão corrija os erros que cometeram com a sociedade e os servidores.

Financiamento

Estamos repensando o financiamento da entidade. O fim do imposto sindical trouxe para gente uma redução de receitas e precisamos recompor esses valores para garantir o atendimento às demandas dos sindicalizados. Vamos fazer nosso congresso estadual este ano e pensar sobre isso. Discutir com os servidores as formas de melhorar a nossa atuação e também pensar as bandeiras e planos de lutas.

Nova diretoria

Tivemos uma boa renovação . Trouxemos para o quadro servidores que tinham destaque na mobilização junto aos seus órgãos. Como alguns que estiveram a frente da greve do Incaper, uma das mais mobilizadas no serviço público. Esses novos diretores se unem a outros que já atuam no Sindicato há algum tempo dando devido equilíbrio – a nova geração com a experiência dos veteranos.

 

  • Fernando A. Castor Rodrigues

    Parabéns pela trajetória e sucesso na empreitada!