Entidades denunciam Vale na ONU e realizam protesto em frente à escritório da empresa

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Diversas entidades entre essas o Sindipúblicos, o Centro de Apoio aos Direitos Humanos Valdício Barbosa dos Santos (CADH-ES), a Associação Juízes para a Democracia (AJD), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Observatório do Rio Doce, apresentaram nesta quarta-feira, 22, na sede das Nações Unidas, uma declaração oral denunciando a impunidade e o descaso da Vale perante o crime de Mariana, que deixou milhares de pessoas afetadas em Minas Gerais.

Paralelamente à denúncia na ONU, os atingidos realizaram assembleia e um protesto em Vitória, em frente à sede da Vale, em Vitória. A Declaração ocorreu durante o Diálogo Interativo com o Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas Transnacionais e Direitos Humanos, dentro da 50.º Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na Suíça.

O GT da ONU tem cobrado medidas eficazes para reparar os danos causados ao meio ambiente e às vítimas do crime. Em dezembro de 2019, o relator da ONU sobre Resíduos Tóxicos, Baskut Tuncak, pediu a abertura de uma comissão internacional de investigação durante uma visita ao Brasil.

Diretores José Roberto Gomes
e Renata Setubal

Recentemente, o Conselho de Direitos Humanos reconheceu o meio ambiente equilibrado como um direito humano, o que torna a situação ainda mais grave perante a comunidade internacional. A declaração oral foi registrada pelo CADH-ES, organização civil capixaba que obteve status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas, podendo participar de atividades oficiais desse organismo internacional.


Manifestação

Os atingidos da Bacia do Rio Doce e do litoral capixaba participaram de uma mobilização em Vitória (ES), para denunciar a lentidão do processo de reparação do crime da Samarco / Vale / BHP Billiton e a falta de participação da comunidade.

Renata Setubal

Durante o ato, a diretora do Sindipúblicos Renata Setúbal, lembrou que o crime da Vale atinge a toda sociedade.

“Na época eu trabalhava na fazenda do Incaper e foi desolador. Plantações, criações foram atingidas, mortas. Plantação de cacau por exemplo por mais de dez anos não dará cacau. A terra virou cimento. O leito do rio também. O que fizeram com o Rio Doce atinge a todos. O Rio Doce é um patrimônio dos capixabas, dos mineiros. Milhares produziam com suas águas. Sem essa produção todos somos atingidos.”

De acordo com a coordenação do MAB no estado, “os atingidos estão preocupados com os rumos das negociações de repactuação do acordo do Rio Doce, que ocorre entre governos estaduais e empresas, sem que as vítimas tenham sido ouvidas. As reuniões entre as instituições públicas e mineradoras estão acontecendo a portas fechadas sob a mediação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas sem participação popular dos atingidos pelo crime, os principais interessados na reparação. Sendo assim, as mineradoras, seguem ditando as normas da reparação do crime que elas mesmas cometeram”.

Em carta política, os atingidos pediram apoio da sociedade: “Enfrentamos a maior criminosa do mundo, com mais de 300 mortes nas costas pelos dois crimes recentes – de Mariana em 2015 e Brumadinho em 2020. Para essa luta, chamamos os demais setores da sociedade que também são atingidos pelos inúmeros crimes cometidos pela Vale no decorrer de seus mais de 50 anos de modelo de exploração, em que distribui prejuízos e morte para a sociedade e lucro para uns poucos”, afirmam os atingidos na carta.

“Na cidade de Vitória, somos todos atingidos pelo pó preto que nos adoece todos os dias, principalmente as nossas crianças e os nossos idosos. Hoje, toda a população do estado é atingida pelas praias contaminadas pela Vale e Samarco”, continua o texto da carta.

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Com informações do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens.

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