Deputados aprovam aumento de 18% pra governador, vice e secretários

Enquanto a recomposição salarial dos servidores foi aprovada com índice bem abaixo da inflação do período, os deputados realizaram uma manobra pra garantir que o governador, vice-governador e secretários tenham um aumento salarial de 18%.
Isso devido, na manhã desta quarta-feira (4), a Assembleia Legislativa ter acatado uma emenda substitutiva da Mesa Diretora, relatada pela deputada Janete de Sá (PMN) no Projeto de Lei nº 085/2018. Com isso, os 5% inicialmente previstos de reajuste entram de forma imediata, com acréscimo do restante no início do próximo ano, totalizando 18% de reajuste.
A aprovação da emenda aumentará, a partir de 2019, o salário do governador (hoje em R$ 19,4 mil) para R$ 23 mil; do vice (hoje em R$ 17, 6 mil) para R$ 20, 8 mil; e do secretariado (hoje em R$ 15,4 mil) para R$ 18,3 mil.
Sem nenhum pudor, a maioria dos deputados aprovou, na mesma sessão, o índice de 5% para o funcionalismo estadual, que não terá novos salários em 2019. E também dos servidores do Legislativo e do Judiciário.
Apenas o deputado Da Vitória (PPS) apresentou uma emenda para retirar o aumento no subsídio dos secretários de Estado para 2019. E Sergio Majeski (PSDB) pediu a retirada do aumento também para o vice-governador e alertou que o aumento para os altos cargos do Executivo, se considerados os valores em vigor atualmente, será de aproximadamente 18% para o próximo ano, enquanto para os outros servidores o reajuste será menor.  “Professores e policiais, que recebem baixos salários, vão ficar na casa dos 5%”, exemplificou. Janete, no entanto, não acatou as propostas.
A matéria foi à votação de acordo com o parecer de Janete de Sá e aprovada com dois votos contrários, do próprio Majeski e também de Bruno Lamas (PSB).
As entidades sindicais que representam o funcionalismo estadual já haviam criticado, duramente, o reajuste de 5%, considerado “praticamente nada” diante das perdas, que chegam a 28% só de inflação acumulada no período de quatro anos, desde abril de 2014, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). Só para se ter uma ideia do que significa o aumento, no caso de um professor em início de carreira, cujo salário é de R$ 1.982,55 (25 horas), o aumento é de R$ 99,12 ou R$ 24,78 para cada ano sem reajuste.
O aumento diferenciado é inaceitável. Exigimos coerência e que seja vetada a iniciativa dos parlamentares até que o mesmo percentual seja garantido  para todos os servidores do Estado.
Com informações de Século Diário
  • Salzino Guedes

    Depois nao querem se criticados, para os servidores 5% para os donos do estado 18%, cade o Judiciario que nao tomam providencias. Absurdo, se o servidor faz algum comentario e PAD, perseguiçao, etc, etc e etc. Outubro esta chegando.

  • Sabe pq esse tipo de situação ocorre, e infelizmente não é de agora? Por conta da despolitização da categoria, quiça do povo. Uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos feita no final de 2017 dá um Raio-X desse entendimento: Nessa pesquisa só superamos a África do Sul em “falta de percepção” (leia-se ignorância); perdemos para o Peru, Filipinas e Índia.
    Se politizada fosse a categoria duvido se algum/a deputado/a ousaria tomar posicionamento que contrariasse a categoria, os interesses da sociedade em detrimento dos grupos que encabrestam a classe política capixaba. Policia, agentes do Incaper, Saúde, SEJUS, professores, entre outros têm nos 78 municípios; só falta a politização, mas uma politização responsável, a qual foque mais a classe do que o grupo que representam, e claro, buscar trabalhar um canal exclusivo de luta. Mas para que isso ocorra, é necessário reinventar o modelo sindical para que transformações na base ocorram. Em idas e vindas da minha rotina percebo servidores insatisfeitos, reverberando que irão se desfiliar, e formar sua própria estrutura sindical. Ora! Quanto mais nos dividimos, mais fracos nos apresentamos para a luta. Não é se dividindo em sindicatos que teremos nossa pauta aceita, mas buscando unificar a força.
    Hoje no intervalo do almoço vi a companheirada pisando o asfalto contra as políticas públicas aplicadas por Hartung e o usurpador Temer. E pensar que tem colegas na ativa que criticam esses valorosos guerreiros, chamando o ato legítimo de baderna. Isso é o raio-X da despolitização da classe.
    Esse ano teremos eleição para compor a diretoria do Sindipúblicos. Vamos parar de reclamar do instrumento de luta que temos, o nosso sindicato, e trabalhar uma composição participativa, a qual consiga trazer consciência crítica aos empregados públicos, a qual traga o entendimento de que é urgente a politização da categoria, pois somente cientes de nosso papel de agentes transformadores conquistaremos o respeito da sociedade capixaba.
    Conquistando a sociedade, tenho certeza de que não mais teremos uma ALES submissa ao interesses dos grupos que estão por trás das decisões políticas, mas sintonizada com os interesses do povo capixaba, pois esse deve ser o foco dos bens e serviços produzidos nos ambientes públicos.

    Pesquise no Google: PERCEPÇÃO 2017 IPSOS, E perceba a urgência de que precisamos criar condições de avivamento da consciência crítica, para iniciarmos o processo de politização da classe.