Demissão de pesquisador do Incaper deixa agricultores surpresos e apreensivos

A demissão do pesquisador e fitopatologista do Incaper Hélcio Costa tem deixado servidores e agricultores, principalmente os familiares, apreensivos.

Isso se deve a atuação desempenhada por Hélcio que por mais de 30 anos desenvolveu inúmeros projetos e pesquisas que trouxeram benefícios importantes para a produção agrícola nacional, tendo inclusive trabalhos publicados em revistas científicas internacionais.

Entre suas pesquisas está a que contribuiu na redução do uso de agrotóxicos na produção de morangos e na pioneira implantação da rastreabilidade desse cultivo.

Vale destacar que a pesquisa em questão influenciou em toda uma mudança na produção do morango, tendo inclusive gerada a publicação das Normas para a Produção Integrada dessa fruta no Brasil e que foram publicadas no Diário Oficial da União.

“O trabalho dele é fundamental pra gente da extensão rural. E na falta do Hélcio os agricultores correm riscos de perder as plantações por doenças ou acabar caindo na mão de comerciantes que vendem muitos produtos sem necessidade. Ele sempre colaborou, com muita boa vontade e competência. E se precisasse, ia inclusive a campo ver alguma doença em plantios. Os agricultores procuravam ele também, é uma referência na área”, comenta Aline Marchiori Crespo, agente de extensão em desenvolvimento rural do Incaper/ Venda Nova do Imigrante.

Diversas outras produções agrícolas como do café, hortaliças, mamão, tomate, alho também tiveram intervenções do pesquisador que contribuiu na descoberta de doenças, implantação de novas tecnologias entre outros.

Hélcio também foi co-autor na descoberta de três novos fungos, além de ter contribuído na implantação de uma bactéria em rios e lagos capixabas para o controle biológico de mosquitos urbanos e borrachudo.

A demissão, a pedido do Ministério Público Federal (MPF) tem sido vista como um ato exagerado diante a um equívoco cometido pelo pesquisador em sua prestação de contas na pesquisa realizada sobre a redução do uso de agrotóxicos na produção de morangos.

Demissão

O MPF parece ter se prendido apenas ao lado burocrático, sem de fato analisar o ganho social e econômico da pesquisa. E mesmo quanto aos valores gastos, que ele usou abaixo do que foi liberado. Ou seja, ele economizou verba da pesquisa, teve um trabalho reconhecido e agora está sendo penalizado.

A situação de Hélcio é considerada inaceitável. A Assin e o Sindipúblicos além de repudiarem o fato, se mostram solidárias à causa e avaliam a necessidade de mudanças no organograma de funções e responsabilidades da pesquisa/extensão. “O pesquisador que se desdobra durante dias e noites no desenvolvimento de uma nova tecnologia não pode ser penalizado por questões burocráticas que, por ora, fogem inclusive de suas formações acadêmicas”, comenta Tadeu Guerzet, presidente do Sindipúblicos.

Visão semelhante também de Samir Seródio, presidente da diretoria executiva da Assin. “Um  trabalhador que se encontra diante de uma série de atividades, pode e deve ter acompanhamento de outros da Instituição, essa deve assumir conjuntamente para que ocorra o resultado esperado. Inclusive, todo profissional precisa de apoio psicológico e social para executar a contento as suas ações.”

“O lado social de Hélcio sempre foi mais forte que essa visão burocrática. A preocupação dele sempre foi em atender o homem do campo, os agricultores familiares. Apesar de ter doutorado e um trabalho ímpar para a comunidade científica brasileira, Hélcio mantém suas raízes no campo. Humilde, atencioso. A sua demissão é muito preocupante”, avalia José Aires Ventura que atua durante anos com ele e testemunha a sua seriedade, honestidade e dedicação ao trabalho em prol do bem dos agricultores.