Casagrande fecha comércios, mas mantém servidores trabalhando em risco

Enquanto o Governo Casagrande determina o fechamento de shoppings e academias, além de restringir aglomerações de pessoas como em igrejas, o Estado continua omisso na proteção aos seus servidores.

Diversos órgãos mantém o atendimento ao público normalmente, muito deles sem que os servidores tenham sequer álcool e máscaras. Além disso, servidores denunciam ambientes de trabalho com locais cheios.

“Os servidores e funcionários públicos precisam ser preservados nesse momento, nosso trabalho é em departamentos lotados com 5 até 12 trabalhadores numa sala com ar condicionado, situação desumana e de medo no momento que estamos vivendo, aguardamos sensatez da parte do governador e sua equipe contra o Coronavírus no que tange aos servidores do ES” comenta uma servidora da Ceturb.

Até o momento, o Governo liberou que sejam antecipadas as férias dos servidores. Ou seja, ainda retira o direito do trabalhador usando as férias como moeda de troca. E o afastamento de servidores idosos e/ou em grupo de risco desde que comprovado por laudo.

Outras áreas liberaram uns servidores e outros não, como nas escolas, que mesmo sem demanda, visto a suspensão das aulas, o Governo manteve os Agentes de Suporte Educacionais trabalhando.

Há casos ainda mais graves, segundo denúncia, na TVE a direção mantém servidores acima de 60 anos, diabéticos e hipertensos atuando sem higienização dos equipamentos, pelo contrário. “Estamos com álcool vencido” denunciou um servidor.

Nem mesmo servidores que estiveram contato direto com suspeitos de Coronavírus, que aguardam resultados dos exames, como estagiários da TVE e servidores da Junta Comercial, estão sendo liberados.

Em Linhares, uma servidora da Fazenda Experimental do Incaper está em quarenta, suspeita de ter contraído o vírus no próprio local de trabalho; na Ciretran, servidores atendem sem terem máscaras ou álcool.

Situações semelhantes de falta de respeito às determinações da Organização Mundial da Saúde (OMS) estão sendo constantes nos órgãos públicos, colocando a vida dos servidores e de toda a população em risco.

O sindicato já protocolou ofício cobrando do governo medidas severas para garantir a saúde de todos. O Sindipúblicos entende que a suspensão dos serviços públicos, exceto os essenciais, contribuiria diretamente para contenção do avanço do Covid-19, ao diminuir a circulação de trabalhadores nas ruas conforme orienta a OMS na redução de pessoas em 60%.

O Sindipúblicos também  cobrou, nesta quinta-feira (19) uma reunião, virtual, para diálogo junto à  secretária da Seger, Lenise Loureiro, participante da Sala de Situação, responsável pelas ações governamentais para conter o Covid-19. No entanto, mostrando mais uma vez o descaso com os servidores, a secretária  negou essa possibilidade.

Com isso, o sindicato entrará com medidas judiciais e denúncias nos órgãos de proteção ao trabalhador como Ministério Público do Trabalho para que o Governo reveja o atendimento ao público e funcionamento dos órgãos e autarquias, resguardando a vida de todos.