• Home
  • Notícias
  • Matérias
  • Artigo: “(Re)pensando e (re)fazendo a cultura da socioeducação” por Andressa Veloso

Artigo: “(Re)pensando e (re)fazendo a cultura da socioeducação” por Andressa Veloso

Andressa Veloso é servidora pública estadual. Assistente Social efetiva no Iases.
Pós-graduada em Processo Socioeducativo com Crianças e Adolescentes; militante dos Direitos Humanos das Crianças e dos Adolescentes.

O Iases, autarquia estadual, responsável pela gestão da política de atendimento socioeducativo em todo Estado do Espírito Santo, passa por um intenso processo de mudança administrativa e educativa. No que concerne às mudanças no plano educativo, é possível constatar, em algumas unidades administradas diretamente pelo Iases, um processo de construção de uma gestão democrática e por que não dizer, autogestora. A cultura da socioeducação ainda está em construção no país, pois é notório que, em algumas unidades socioeducativas espalhadas por todo território brasileiro, ainda é disseminada a cultura correcional repressiva, nos moldes do antigo código de menores, que por sua vez já foi substituído pela lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente, há mais de duas décadas.

O embasamento teórico, que ainda é precário nesta área, não é suficiente para que o profissional consiga desenvolver ações com o foco socioeducativo. O cotidiano do trabalho, a troca de experiência, a integração entre o corpo de agentes e equipe técnica, enfim, a integração de toda comunidade socioeducativa, contribui para que os profissionais acrescentem qualidade em suas intervenções junto aos socioeducandos.

A socioeducação é um tema que está em constante debate e ainda necessita de um investimento na produção de conhecimento, especialmente, na qual estejam envolvidas pessoas que estão atuando diretamente no atendimento ao adolescente a quem se atribui autoria de ato infracional. A teoria marxista nos permite visualizar o quão eficaz é para uma transformação societária a união entre a teoria e a prática. Para o pensador, a teoria se modifica constantemente com a prática e vice-versa. A práxis é esse transformar simultâneo em que nem a teoria, nem a prática, se cristalizam sozinhas.

O Estado do Espírito Santo vivencia um momento em que a socioeducação está sendo implantada nas unidades administradas diretamente pelo Iases de maneira paulatina, embora tenhamos importantes resultados que já vem iniciar um processo de consolidação da prática socioeducativa, é um caminho sem volta, que em um curto espaço de tempo toda prática repressiva será substituída por práticas socioeducativas. O diálogo horizontal já é presenciado em todos os espaços socioeducativos. Um processo como este não se efetiva da noite para o dia, mas é importante que os resultados positivos, que retratam os sucessos das práticas socioeducativas, cheguem ao conhecimento de todos os atores pertencentes ao sistema de garantia de direitos.

Pensando nisso, entendo que a autarquia precisa investir na produção de conhecimento que envolva como protagonistas os membros da comunidade socioeducativa. Que esses sejam estimulados a relatar suas experiências e com isso, produzir concepções teóricas, levantamentos estatísticos, artigos, textos, enfim, uma gama de material didático que venha somar à biblioteca nacional da socioeducação brasileira. Se uma representante do CNJ é capaz de atribuir nota 09 a uma unidade (Xuri) administrada diretamente pelo Iases, é porque ali é possível encontrar profissionais com grande potencial humano. É possível encontrar pessoas que acreditam na socioeducação e, sobretudo, é possível o estado fazer a gestão direta da socioeducação, pois tem profissionais capacitados para isso. Sendo assim, nada mais justo do que permitir que esses profissionais coloquem no papel o que está sendo produzido de conhecimento, através de suas práticas junto aos socioeducandos. É o momento do Instituto fazer esse investimento no profissional e, de alguma maneira, valorizar nosso trabalho. Por isso, entendo que a administração necessita criar um núcleo, um setor, ou outro espaço que tenha como campo de trabalho a produção do conhecimento por parte do servidor. Uma vez feito isso, o profissional terá mais prazer em atuar, já que verá seu trabalho sendo reconhecido em todo estado do Espírito Santo e porque não dizer, reconhecido nacionalmente.

*
O Sindipúblicos está abrindo este espaço para a publicação de artigos dos servidores contribuindo para fomentar o debate sobre melhorias no serviço público.

Para encaminhar seu artigo entre em contato por email comunicacao@sindipublicos.com.br com o assunto Artigo. Envie junto foto e um breve resumo de até 3 linhas de seu currículo.