Artigo – Incaper precisa ser reestruturado para superar sucateamento

 

Samir Seródio Amin Rangel*

O Instituto Capixaba de Assistência Técnica, Pesquisa e Extensão Rural (Incaper) tem passado por um processo de sucateamento. Por isso, é preciso debater o Incaper que queremos e deixar muito claro: discutir esse tema não é somente ter olhos para o passado, para o descaso de governos anteriores. É olhar para o futuro, um futuro que se faz no presente.

Por ter certeza de que esse é o caminho, a Associação dos Servidores do Incaper (Assin), durante as eleições de 2018, contactou todos os candidatos a governador e apresentou propostas para o plano de governo, feitas pelos servidores e agricultores familiares, por quem vive a realidade da autarquia e do trabalho rural.

As propostas contemplam, por exemplo, mudanças no modelo de gestão, reivindicando maior proximidade dos gestores, mais diálogo. Ainda não colocado em prática, esse novo modelo deve ser um compromisso do atual governo para a construção do Incaper do futuro. Poderíamos fazer eleições para a escolha de nossos coordenadores, gerentes e diretores. Diversas empresas similares à nossa no Brasil já fazem. Outra proposta é uma gestão mais participativa, com espaço para os servidores.

Esse é um dos caminhos para superar as consequências de um sucateamento que ainda está em curso, causando a precariedade nas condições de trabalho dos servidores, o que afeta os serviços prestados pelo Incaper e, portanto, o desenvolvimento econômico capixaba. A agricultura é um dos motores da economia do ES, que se destaca por ser o segundo maior exportador de café do Brasil. Segundo o Censo Agropecuário do Incaper, cerca de 54% da produção de café capixaba vem da agricultura familiar, bem como 51% da produção de mandioca, 77% da produção de feijão e 71,8% da produção de milho.

Para construir no presente o Incaper do futuro, a Assin quer contribuir com o Planejamento Plurianual da atual gestão. Isso impulsionou a realização do seminário “O Incaper que queremos – com os servidores (as) e com a agricultura familiar”.

Foram feitos coletivamente o diagnóstico do Incaper, que subsidiou a criação de propostas para reestruturar a autarquia, levando ao governo do Estado o desafio de se adequar às demandas dos servidores e de construir iniciativas que levem em consideração o desenvolvimento agrícola capixaba. Esperamos que as propostas deixem de ser apenas um desejo dos servidores e agricultores e se tornem uma realidade concreta do Incaper. Para o bem dos servidores, dos agricultores familiares, do ES.

 

*O autor é presidente da Associação dos Servidores do Incaper (Assin)