Artigo | Emissários do capital

Por Caetano Roque

No governo do Estado existe um cargo bem específico para “dialogar” com  movimento sindical. No dia 2 de junho deste ano foi publicado no Diário Oficial a indicação para o cargo assessor de Relações Sindicais da Secretaria de Gestão (SEGER), Francisco José Carlos, oriundo do Sindicato dos Servidores Públicos.
Com sua indicação, criou-se entre os servidores a expectativa de que a relação, que nos oito anos de Paulo Hartung (PMDB) anteriores e também nos quatro anos de Renato Casagrande (PSB) não apresentou avanços, pudesse prosperar.
A situação, aliás, piorou. Tanto que os servidores fizeram uma manifestação em várias repartições públicas em meados de setembro para tentar chamar a atenção do governo, que não quer conversar com a categoria.
E onde está o relações sindicais nessa história, que é oriundo do próprio movimento? Por que não conseguiu facilitar esse diálogo? Porque não está lá para isso e sim para tentar embromar, empurrar com a barriga e evitar que o sindicato se torne um problema para o governo.
Por isso, o movimento sindical deve olhar com muito cuidado essa ida de lideranças para dentro do poder com a bandeira da intermediação. Se é para ir, tem que ficar do lado do movimento, ou, na pior das hipóteses, ser justo e não se transformar em emissário do capital, tentando desmotivar a categoria a buscar melhorias seja no campo trabalhista, seja no campo social.
O governo Paulo Hartung tem essa característica de evitar barulho na rua. Tanto que buscou tirar o movimento de lá. Trabalha com a cooptação de lideranças justamente para tornar seu governo tranquilo, e conseguiu com isso, implantar a famigerada política salarial de subsídio sem que fosse questionado. E assim, o movimento continua sendo jogado para escanteio, enquanto o governador posa de bom moço com a sociedade.
É hora de os servidores públicos mostrarem que não aceitam esse tipo de relação, pressionando seu mediador e cobrando que o governador sente à mesa com a categoria. Não vai dar para viajar para a Califórnia toda vez que os servidores se manifestarem.