A Gazeta insiste na manipulação de dados para atacar servidores

Nesta sexta-feira, 12 de julho, o jornal A Gazeta noticia informações atacando os servidores públicos e traz em sua capa que os servidores estaduais irão pagar 14% de alíquota de contribuição previdenciária. Toda construção do texto vai em defesa do aumento da alíquota para o servidor, culpabilizando-os do déficit apresentado na previdência estadual.

Mais uma vez, a Rede Gazeta ignora os preceitos básicos da ética jornalística de ouvir todos os lados envolvidos na informação. Entre esses, cabe ressaltar alguns artigos do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros:

Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que: I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.

II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;

Art. 12. O jornalista deve:

I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;

Além de não escutar a opinião dos servidores, o jornal traz dados manipulados e até mesmo incompletos. Quanto ao aumento da alíquota, cabe esclarecer que, passando a Reforma sem alteração nesse ponto, o Estado ficaria sim obrigado a realizar a paridade das alíquotas dos servidores federais aos estaduais. Porém, diferente do que publica A Gazeta, o que foi aprovado é uma alíquota escalonada que vai de 7,5% à 22%. Atualmente no Estado os servidores já pagam 11% e o governo estadual 22%.

Outro ponto primordial a se falar é que segundo a legislação vigente, o Estado tem que contribuir com o dobro do mesmo percentual do descontado ao servidor. Logo, o governo estadual teria que aumentar seu aporte também na previdência. Na faixa dos 14%, o Estado pagaria outros 28%. Dados esses totalmente ignorados pela reportagem.

A falta de dados fundamentais para construção de reportagens que abordam a situação dos servidores estaduais tem sido constante nos veículos da Rede Gazeta. Recentemente também foi publicada uma reportagem dizendo que o  “Capixaba paga R$ 400 por ano para bancar aposentadoria de servidores do ES.” Novamente, realizaram uma análise genérica e superficial sem trazer dados primordiais para o leitor, como os que o Estado tem grupos de servidores que ganham apenas o salário mínimo. No entanto, há na outra ponta um pequeno grupo de servidores que devido suas funções desempenhadas no Estado e qualificações exigidas, recebem altos salários. Quando soma-se tudo e divide-se o resultado é um valor alto, mas não representa a realidade da maioria dos servidores estaduais que estão altamente endividados devido a atual política de desvalorização dos serviços públicos.

Mesmo assim, essa média geral foi utilizada para colocar a sociedade contra os servidores ao dizer que o capixaba paga R$400 para garantir a aposentadoria dos servidores, dando margem de interpretações como se servidores fossem privilegiados com altos salários. Esse número esconde o fato de que é o próprio servidor contribui para sua aposentadoria e que ao longo dos anos os recursos previdenciários foram desviados para outras finalidades.

Aliás, os graves problemas dos servidores seguem praticamente ignorados pela mídia. Seria prudente o jornal ponderar que os servidores estão com uma perda salarial de 28,4% por estarem desde 2014 sem revisão salarial (exceto os míseros 5% de 2019); não possuem FGTS e data-base como na iniciativa privada; atuam com condições de trabalho precárias; possuem salários muitas vezes abaixo da média de mercado e até mesmo de pisos de categorias, entre outros pontos.

Outro fato primordial quanto a Reforma da Previdência, defendida por esse jornal, e não esclarecido à sociedade é sobre o déficit no IPAJM. Cabe ressaltar que esse é agravado pelo governo, ao invés de realizar concursos insistem nas contratações ilegais por meio de DT’s e comissionados que não contribuem com a previdência estadual gerando um rombo bilionário.

Para realizar o equilíbrio financeiro da previdência é preciso que o número de contribuintes sejam pelo menos igual ao de inativos. Porém, esse percentual fica bem abaixo, visto que no lugar de realizar concursos públicos, em que os efetivos iriam realizar o pagamento ao IPAJM, o Estado faz contratações temporárias e comissionadas.

É inaceitável que a Rede Gazeta continue a manter uma linha de ataques aos servidores públicos, profissionais que atuam para levar serviços de qualidade à sociedade, mesmo com todos os desmandos dos governos.

O Sindipúblicos cobra dos veículos da Rede Gazeta para além do direito de resposta, mas que os servidores sejam ouvidos e respeitados. E as reportagens tragam de fato todas as informações necessárias para a sociedade capixaba, escutando todos os envolvidos.